Ler: Eis a questão!

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por Alessandra Felix

Ganhamos livros na festa da Refúgios este ano. Pelo que soube, livros da biblioteca do nosso fundador, já lidos por ele e escolhidos a dedo para cada um.

Eu achei sensacional!

Amo ganhar livros! É o tipo de presente que precisa ter um mínimo de atenção e personalidade – acredito que não dá pra chegar na livraria, pegar o primeiro livro e correr para o caixa. Este tipo de presente sempre vai ter algo do tipo: “mas o que combina com essa pessoa, o que ela gosta, que tipo de leitura se parece com ela?” Fico sempre imaginando a conexão que pensaram, do livro comigo.

2019 foi uma loucura e estou há tempos querendo escrever sobre livros. Era pra falar sobre a biblioteca e os sebos de Pinheiros, mas prometo que este texto virá em breve. Hoje quero falar sobre a leitura.

Minhas primeiras sensações ao aprender a ler eram de que me deram a chave para decodificar o mundo, eu saía lendo TUDO, de letreiros (MOTEL X HOTEL – que rendeu uma pergunta capciosa para os pais) a revistas, propagandas etc.

Quando estou com a cabeça muito cheia, sei que está faltando um livro. E é o que me dá um respiro, uma pausa pra pensar em outras estórias, outras pessoas – mesmo que personagens de ficção.

No livro Sapiens, o escritor Yuval Noah Harari escreve sobre o desenvolvimento do Homo Sapiens e como chegamos no patamar em que estamos. A linguagem foi uma peça chave e é o que nos diferencia de outros seres vivos. Com o surgimento de novas formas de pensar e se comunicar, aconteceu a Revolução Cognitiva. Dentre outras coisas, permitiu a criação da ficção, que nos deixou não só imaginar coisas como também fazer isso coletivamente. Podemos tecer mitos compartilhados, que dão aos homens a capacidade sem precedentes de cooperar de modo versátil em grande número, e isso fez toda a diferença na história dos homens. (1)

A linguagem escrita então, outra Revolução! Livros são pequenos mundos em si, com eles conseguimos viajar para conhecer outros lugares, sentimentos, situações, pessoas, sem sair do nosso sofá.

Em um livro que fala sobre a escrita e a imaginação, Rosa Montero, escritora espanhola, autora do último livro que terminei (e fiquei apaixonada), diz que “nossos preconceitos nos confinam, encolhem nossas cabeças, nos idiotizam; e quando estes preconceitos coincidem, como geralmente acontece, com a convenção majoritária, nos tornam cúmplices do abuso e da injustiça.”

Mais ainda: “o compromisso do escritor não é colocar suas obras em favor de uma causa ( (…) a literatura é um caminho de conhecimento que é preciso empreender carregado de perguntas, não de respostas), mas estar sempre alerta contra a opinião geral, o próprio preconceito, contra todas as ideias herdadas e sem contraste que ficam insidiosamente em nossas cabeças, venenosas como cianeto, inertes como chumbo, ideias ruins que induzem à preguiça intelectual.” (MONTERO, 2003, p.54, tradução livre) (2)

E como a literatura é importante! Ainda mais hoje, em um mundo tão carente de empatia. Um estudo conduzido pelo psicólogo Keith Oatley e publicado na Trends in Cognitive Sciences em 2016, demonstra que ler ficção fomenta a empatia. Os leitores podem formar ideias sobre as emoções, as motivações e os pensamentos dos outros – e transferir essas experiências para a vida real. (https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/18/cultura/1468850653_180510.html)

Sei que na correria do dia a dia, sobra pouco tempo. Eu me comprometi a ler um livro por mês, pelo menos. Como a memória não melhora com a idade, uso um aplicativo (Skoob) para ajudar a organizar o que já li, o que quero ler etc. (Também porque sou maluca por listas, como o personagem do Nick Hornby em Alta Fidelidade 😉).

Neste ano que já vai, passei por romances dramáticos no Morro dos ventos uivantes, no Peru em seus anos de ditadura, na Paris dos anos 60; apreciei a história real de dois pais e muito amor; soube mais da história da humanidade desde que o Homo Sapiens surgiu e também o que virá no futuro; o que pode vir a ser o futuro em uma sociedade totalitária futurista; senti o que era o viver em cortiços no Rio de Janeiro no fim do século XIX e num experimento de “relaxamento” na Nova York contemporânea, além de crônicas muito bem humoradas na São Paulo atual.(3)

E você, já pensou onde pode ir e quem vai conhecer?

 

(1) HARARI, Yuval Noah. Sapiens : Uma breve história da humanidade. L&PM, 2015.
(2) MONTERO, Rosa. La loca de la casa. Santillana, 2003.

 

(3) Para os que gostariam de saber, os livros citados:

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sobre o autor

Alessandra FelixCorretora Associada

Administradora de Empresas formada pela PUC-SP, desenvolveu sua carreira em Recursos Humanos, onde desenvolveu sua paixão por relações interpessoais. Acredita que os relacionamentos podem ser colab...

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