Um passeio literário por Pinheiros e Vila Madalena

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Por Camila Raghi

Que ler é um dos prazeres mais cultuados em nossa sociedade, desde que o mundo é mundo, não há dúvidas…

Agora, então, em tempos de quarentena, a leitura voraz tem sido muito mais que hobby para mim, chegando a alcançar certamente o posto de terapia das mais efetivas!

Em seu delicioso texto, LER: EIS A QUESTÃO!, Alessandra Felix discorre magistralmente sobre este tema e a importância dele em nossas vidas.

Acabo de terminar a leitura de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, livro que ganhei de presente da mesma Alê – como carinhosamente a chamo – e inspirou o filme brasileiro, dirigido por Karin Anouiz, de mesmo nome, em cartaz nos cinemas no fim do ano passado. O texto, feminista, afiado e muito bem humorado, narra a história não apenas de uma, mas de tantas e tantas mulheres incríveis e talentosas que viveram à sombra em um Brasil de décadas atrás.

Em uma de suas passagens marcantes, já na maturidade da vida da protagonista, Eurídice começa a devorar todos os livros que encontra pela frente em sua biblioteca caseira. E após esgotar todos os exemplares possíveis em casa, passa a frequentar religiosamente a biblioteca pública do Rio de Janeiro e a chamar a atenção, tornando-se motivo de fofoca das entediadas donas de casa do interior bairro da Tijuca nos anos 50.

Corta! Afortunadamente já estamos em 2020 (ufa!)… e aqui por Pinheiros, bairro que me acolheu há quase uma década, os prazeres da boa leitura não são só cultuados, mas também muito, mas muito incentivados, pelas antigos e recentes aconchegantes sebos e livrarias instalados.

Também não resiste à passar a tarde em uma boa livraria tomando um café ? Então me dá a mão (com muito álcool gel) e vem comigo nessa jornada literária pinheirense – “virtual” e de máscara!:)

Comecemos pela nossa mais nova aquisição, a Livraria da Tarde, que descobri recentemente em uma despretensiosa  caminhada pela Rua Cônego Eugênio Leite. Pequenina e acolhedora, dá pra passar a tarde lá, e ainda saborear um gostoso café no Made by Nina.

Andando um pouco mais pela Rua dos Pinheiros em direção ao metro Fradique chegaremos à queridinha das queridinhas: a charmosa nova filial paulistana da carioca Livraria da Travessa, inaugurada em 2019 (confesso, minha predileta do momento). Não se acanhe em pedir qualquer informação aos simpáticos e cultos livreiros, mesmo que seja aquela dúvida cruel tipo: sabe aquele autor que escreveu aquele livro que falava daquele assunto? É impressionante, mas eles devem ser meio bruxos, porque sempre acertam na mosca (ao contrario da minha memória).  Não deixe de subir até o ensolarado terraço e tomar o quê? mais um café é claro!

Mas calma, que o o tour está só no começo ainda, se caminharmos em direção aos Predinhos da Hipica , encontraremos um sebo que é puro charme…

Sente-se e fique a vontade no Sebo Desculpe a Poeira.

Depois dessa pausa, que tal andarmos até um outro hit literário pra lá de antigo e consolidado na Vila Madalena?

A sensação de entrar na  filial da Livraria da Vila na Fradique Coutinho é a mesma se uma criança no parquinho de diversões! Sim, não há lugar melhor para se perder em todos os mais variados temas, e as seções de arquitetura, design e fotografia são as minhas prediletas. Ao fundos, um café delícia rodeado por um jardim idem, aonde já fiz otimas reuniões com equipe e clientes.

Ao ladinho, na mesma quadra, temos a Casa Plana, um espaço muito bacana voltada a atividades do meio editorial. Lá rolam oficinas, cursos e uma livraria dedicada a publicações independentes. E o melhor: também aos fundos (ah, os fundos são sempre uma surpresa), tcharam…mais uma café, esse, de longe, um dos meus prediletos em São Paulo. Recentemente inaugurada, a filial zona western do café Por um Punhado de Dolares, foi um ótimo presente pro bairro.

Por fim, mas não menos bacana  e poético, se subirmos pela Inácio Pereira da Rocha em direção ao Cemitério Parque de Pinheiros, já na Luis Murat chegamos ao Patuscada,  misto de livraria e café instalado em uma singela casinha total espirito refúgio urbano. Vale a pena conferir!

Se você chegou até aqui, muito obrigada pela companhia!

De tantos cafés tomados, provavelmente não dormirá nunca mais:).

Por favor, não se zangue. Indico o melhor antídoto pra qualquer insônia: um bom livro, of course!

Ficou com vontade de fazer esse passeio de verdade?

Fica a dica pra um belo sábado de sol pós-quarentena…e se animar esticar mais um pouquinho, suba até a Praça Benedito Calixto pra escutar um sambinha ao vivo e comer um bolinho de bacalhau!

Ps: este texto é dedicado às queridas corretoras da equipe que coordeno: Alessandra Felix, Renata Nogueira e Isabela Herbetta, com quem compartilho ótimos papos sobre o assunto e que me ajudam a ver estes dois bairros a cada dia com olhos mais apaixonados!

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sobre o autor

Camila RaghiSócia-Proprietária

Arquiteta e urbanista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), trocou Curitiba por São Paulo há dez anos para se dedicar às suas maiores paixões: projeto e restauro. Após acumular ...

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