Tic tac

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por Mariana Valente

Recentemente eu ganhei um relógio, relógio raiz em época de smartwatches, analógico com direito até a ponteiro de segundos. E me peguei novamente tendo que colocar a cabeça para funcionar para saber que horas são.
Bom… fato é que o “tic tac” voltou a fazer parte de alguns momentos da minha vida. Quando a gente tem um relógio digital silencioso, o tempo parece ser medido apenas por notificações que pulam na tela de tempos em tempos, mas no analógico o barulhinho persistente está ali o tempo todo e me fez refletir o quando o tempo é relativo.

Explico: o abrir de olhos de um recém nascido e o último fechar de olhos de um enfermo podem ter exatamente a mesma duração no espaço tempo… porém, um deles é seguido pelo tempo acelerado, tanto que é comum ver pais, mesmo estando exaustos, dizendo que semanas e meses se passaram tão rápido quanto um time-lapse. Já no outro caso, é muito comum a dor do luto fazer poucos segundos se arrastarem em minutos, minutos em horas e assim por diante, a dor intensifica a câmera lenta de tudo que acontece a nossa volta.

O tempo de quem fica e de quem está partindo é percebido de forma diferente, assim como o tempo de quem espera e de quem está atrasado, de quem descansa e de quem trabalha, de quem almoça e de quem está sentindo fome, de quem está apertado para fazer xixi e de quem acabou de sair do banheiro… os segundos são sempre, exatamente, os mesmos em qualquer lugar do mundo, como dizem… o tempo que consiste em um dia inteiro é a única coisa que é igual para todo ser vivo, seja ele quem for… Não se pode vender e nem comprar mais tempo. São 24 horas por dia e acabou. É finito.

E o que isso tem a ver com a corretagem? Todo este pensamento me fez parar para pensar que na corretagem estamos sempre lidando com o tempo de outras pessoas. Falamos muito sobre “não perder o timing”, mas nem sempre esta é uma tarefa fácil, justamente pela percepção do tempo, que pode mudar tanto de uma pessoa para a outra, ou de um momento de vida para outro.
Nós não podemos, na nossa ânsia de resolver tudo com urgência, atropelar o tempo de ninguém, mas também não podemos ir no “deixa a vida me levar”.
Muitas vezes nós, como corretores, temos que assumir o papel de maestros nessa dança onde cada um escuta uma música diferente, temos que com cuidado e zelo fazer todos os ritmos se encaixarem em uma bela e harmônica valsa.
E essa é apenas mais uma das mágicas desta profissão que escolhi para chamar de minha!

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sobre o autor

Mariana ValenteCorretora Associada

Nascida e criada em Santo André, talvez seja a paulista mais mineira que você vai encontrar por aí. Não se surpreenda se a ouvir falando "Uai, mas esse trem é bão demais" enquanto fala de um 'qu...

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