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O que se vende?

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por Ana Paula Zonta
Vocês, com certeza, já viram algum dos anúncios que saíam na Folha ou Estadão para lançamento de prédios nos anos 40/50/60, né? Pois é… Sou suspeita, como arquiteta, mas acho muito interessante!
Esses dias, analisando alguns anúncios de lançamentos imobiliários das décadas de 40 e 50, especialmente, reparei que os itens que mais se destacavam eram a localização (sempre privilegiada), o conforto das unidades, os acabamentos “finíssimos”, os elevadores rápidos e modernos, as garagens, o abrigo antiaéreo, a facilidade de pagamento etc. Eram as construtoras divulgando e evidenciando as qualidades arquitetônicas dos edifícios, para atrair a nova sociedade do consumo, até então, acostumada a viver em casas. Assim, o apelo era para a boa arquitetura, com espaços generosos, valorizando o “morar em edifícios” como sinônimo de modernidade.  Além disso, eram edifícios que se integravam a paisagem urbana.
E, automaticamente, me veio a comparação com os dias atuais, refletindo como o mercado foi mudando seus atrativos e como, infelizmente, a qualidade arquitetônica virou um diferencial de poucas construtoras. Atualmente, na maioria dos casos, a varanda gourmet, a estrutura de lazer e a sensação de segurança são os maiores atrativos, compensando a diminuição do tamanho das unidades e a inexistência de uma boa arquitetura. Onde observamos uma produção mercadológica, que ergue edifícios em um modelo de “copy e paste” cujo objetivo maior é o lucro.
É claro que existem inúmeros fatores que influenciaram nessa mudança, como a própria legislação, o valor e tamanho dos terrenos, e, sobretudo, as mudanças de perfil familiar e da vida cotidiana.
Mas o que eu queria destacar com essa reflexão sobre a “venda dos espaços de morar”, hoje, é a necessidade de se manter as pessoas como premissa para o desenvolvimento de um bom projeto, levando em conta a relação do edifício com a cidade, com lugar onde se insere, e, abraçando, inclusive, a valorização dos espaços públicos ao redor. Contudo, felizmente, podemos observar que isso já está acontecendo.
A arquitetura está voltando a ser uma pauta discutida por todos, não somente por arquitetos e urbanistas, e esse é o primeiro passo para que volte a ser um elemento essencial em qualquer novo lançamento.

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sobre o autor

Ana Paula ZontaArquiteta

Paulista. Nasceu e cresceu em Araçatuba. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo, na Unesp, de Presidente Prudente, e escolheu São Paulo para viver e se desenvolver pessoal e profissionalmente. Se e...

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