Um Texto Necessário Sobre Transição de Carreira

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por Bel Herbetta
Transição de Carreira

Estou aqui para falar algo que eu queria muito ter escutado quando pensava em uma transição de carreira.

Talvez alguém até tenha me dito tudo isso, de alguma forma, e eu não tenha realmente “escutado”. Mas lembro de ter procurado e conversado com inúmeras pessoas sobre “isso” – porque esse termo “transição de carreira” me dava calafrios – pessoas que eu considerava felizes e bem sucedidas em suas áreas.

Talvez aí estivesse o primeiro erro. Tem pessoas que parecem encontrar com facilidade seu caminho dos estudos para o trabalho, e acredito que elas não tenham sentido na pele o que é “precisar de uma transição de carreira”.

Convenhamos, não é nada fácil. Pelo menos pra mim não foi.

Acredito que quem pensa em fazer esta transição está passando por pelo menos uma destas situações: 1. Não se sente feliz no trabalho. 2. Não se desenvolve como gostaria. 3. Foi demitido ou não encontra mais trabalho na área inicial de atuacao.  4. Sente um “chamado” por uma área diferente daquela que estudou ou em que trabalha.

Eu sempre quis ter esse “chamado”. Mas não tinha. Então, pra dizer a verdade, desde o meu primeiro estágio, lá pelo terceiro ano da Faculdade de Arquitetura, eu sabia que aquele trabalho não era pra mim. E o que dificultou ainda mais: eu amava (amo) arquitetura, eu era boa no que fazia (tinha as aptidões necessárias), mas algo que eu não sabia muito bem explicar – hoje começo a vislumbrar algumas possíveis respostas – não encaixava, pra dizer com todas as letras: EU SOFRI do primeiro ao último dia de trabalho como arquiteta. Sem contar o período de estágio, foram DOZE longos anos tentando me encaixar na profissão que escolhi.

Aqui é importante um adendo: escolher uma profissão é diferente de escolher o que estudar. Eu acho que escolher ESTUDAR arquitetura foi certíssimo pra mim, mas TRABALHAR como arquiteta não. Hoje, vinte anos após eu prestar vestibular, cada vez mais os profissionais têm que ser multidisciplinares – ou seja, ESTUDAR muitos assuntos, para TRABALHAR com algo geralmente super específico. Esse descolamento que eu não conseguia fazer: como não ser Arquiteta tendo estudado Arquitetura?

As vezes eu ficava na dúvida: será que eu não sou feliz MESMO com meu trabalho?

É claro que muita gente reclama do trabalho, do chefe, do cliente… Vai ver é assim mesmo! E hoje, um ano após a minha transição de carreira, eu diria pra mim mesma naqueles tempos: Não é assim mesmo minha filha! Se você não tem CERTEZA que é feliz com seu trabalho, vou te contar uma coisa: é porque você NÃO É! Porque quando você for, você vai ter certeza. Continuam existindo problemas, dificuldades, stress, etc. Mas o sentimento, lá no fundo, é outro.

Apesar de recente, sinto que consegui fazer minha tão esperada transição de carreira, de arquiteta para corretora de imóveis – algo que eu nunca tinha imaginado.

Se vou fazer isso para sempre ou não, o tempo irá dizer.

Mas pela primeira vez na vida digo com tranquilidade:

Quem aqui tem medo de segunda-feira? Eu não 😀

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sobre o autor

Bel HerbettaCorretora Associada

Nascida e criada em Perdizes, foi com o tempo que passou a valorizar e (re)descobrir as qualidades e pontos fortes do bairro. Durante as aulas de Urbanismo, quando cursava Arquitetura no Mackenzie (l...

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