Tudo não terás ou a inesperada virtude da escolha

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Por Camila Raghi

Fazem parte de nossa cultura popular brasileira uma série de provérbios ou ditos populares, como são normalmente chamados, que expressam de forma muito inteligente ensinamentos oralmente transmitidos de geração em geração.

Dentre todos, de fato, tenho filosofado muito a respeito da máxima: Tudo não terás.

Sábias poucas palavras que quando tão bem combinadas colocam em xeque uma das maiores angústias da sociedade contemporânea: o poder do livre arbítrio.

O que a princípio deveria ser considerado uma das maiores conquistas da humanidade: a liberdade de escolha (tão propagada em campanhas publicitárias), muitas vezes nos enreda em uma teia de frustações causada pela falsa sensação de que podemos ter tudo.

Assim, acredito que o amadurecimento leva a entendermos melhor que a a ilusão de perfeição está longe de ser um caminho saudável para qualquer esfera de nossas vidas: de relacionamentos a trabalho, de lazer a consumo, enfim…totalmente inerente ao nosso cotidiano.

Ora pois…  Estamos sempre (e definitivamente me incluo neste coletivo) em busca do trabalho perfeito, do namorado perfeito, do amigo perfeito, e assim por diante….

Vivemos o eterno dilema do “e se…” Ah, mas esse cara seria ótimo namorado se….. Ah, esse meu novo trabalho seria muito bacana se….

Como arquiteta, já há muito tempo atrás, descobri o significado deste “mantra” ao desenvolver projetos de restauro em edifícios históricos: a linha tênue entre o que se deve conservar e o que deveria ser  “sacrificado” a fim de atender normas de segurança, acessibilidade, conforto ambiental…etc…

Pois agora, mais uma vez, como corretora, este provérbio tem se mostrado muito pertinente em meu atual ofício.

Assim como as pessoas buscam relacionamentos perfeitos, a perfeição também é almejada com afinco quando se trata de encontrar um lar doce lar para chamar de seu. Nada mais justo: afinal, um imóvel não pode nem deve ser comprado como uma simples calça jeans, é claro. Há nesta escolha muita coisa em jogo: uma morada significa um refúgio no meio dessa selva de pedra.

Contudo, a busca infinita por esta “perfeição” pode muitas vezes se tornar uma armadilha da qual muitas vezes é muito difícil escapar e cujo resultado mais direto é a eterna frustação de nada ou ninguém serem bons o suficiente.

Repetindo um outro clichê sabiamente proferido na boca do povo: a vida é feita de escolhas, e cabe somente a nós determinarmos em que é possível ceder ou não quando se busca alcançar um objetivo.

O que sempre indico aos meus clientes é que, após visitarem vários imóveis, criem uma lista, dessas simples mesmo (no papel e caneta, a moda antiga), com várias colunas listadas por ordem de prioridade, a fim de ajudar a compreender quais são as necessidades imprescindíveis  e quais imóveis mais de adequam ao estes desejos, dentro da realidade financeira de cada um, é claro.

Explico: muitas vezes precisamos escolher o que é mais importante: a localização, ailuminação, a ventilação, a área, a vista, aquela varandinha tão desejável, a área de lazer…Seguramente você conseguirá encontrar um  imóvel que abarque um grande número de “sims” e que, portanto, será “o mais perfeito possível”, indo ao encontro de grande parte de seus desejos.

A perfeição é pura ilusão!

Após muitas andanças, feita a escolha do refúgio urbano ideal,  acredite: mesmo abrindo mão de algumas pequenas coisas, seu apartamento se tornará ainda mais especial quando tiver sua personalidade impressa nele, sua energia e principalmente sua alma:)

E é isso que, no frigir dos ovos, nunca podemos abrir mão: de sermos honestos com nossos ideais e escolhas!

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sobre o autor

Camila RaghiSócia-Proprietária

Arquiteta e urbanista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), trocou Curitiba por São Paulo há dez anos para se dedicar às suas maiores paixões: projeto e restauro. Após acumular ...

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