Sobre edifícios icônicos e expectativas

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por Renata Nogueira

Me lembro que, em 2013, fiz um tour pelos prédios do Artacho Jurado em São Paulo.

Eu tinha acabado de voltar definitivamente a morar na capital paulista, e estava aproveitando os fins de semana pra conhecer melhor, e pessoalmente, a arquitetura da cidade.

O ponto alto do tour era a subida no último andar do Edifício Viadutos, um dos lugares que eu mais tinha vontade de conhecer.

Me lembro que o elevador que podíamos utilizar era apertado, e cabiam apenas quatro pessoas. Na minha vez de subir entraram, além de mim, dois outros participantes do tour e um morador carregado com sacolas de supermercado.

Durante a viagem entre o térreo e o décimo andar, perguntei super empolgada ao rapaz como era morar num edifício como aquele?!

Expectativa a mil, esperava uma resposta longa e detalhada, mas recebi um simples: ah é bacana, os vizinhos são tranquilos e meu apartamento é solar. E só…

Fiquei passada, claro! Não queria saber dos vizinhos, queria saber como era morar num Artacho!

Coloquei minha decepção no bolso e segui admirada pela restante do passeio.

Passados seis anos desse episódio, e agora integrante da Refúgios Urbanos, frequentar edifícios icônicos virou rotina.

E essa é, pra mim, uma das tarefas mais gratificantes desse trabalho.

De repente me vi fazendo visitas frequentes em prédios projetados por Victor Reif, Vilanova Artigas e claro, Artacho Jurado!

E mais do que isso, passei a conhecer os moradores e funcionários desses prédios, e entender que alguns estão ali justamente pelo prédio, pela qualidade e pela mesma paixão que compartilhamos pela arquitetura.

Isso fora a oportunidade de perceber, a cada pouco, detalhes sensacionais desses projetos icônicos.

Desde me deleitar com alturas de pés direito inimagináveis, até “simples” mecanismos de abertura de janelas – minhas atuais paixões arquitetônicas, cada vez que me deparo com uma solução diferente.

Outros moradores estão por diversos motivos, os mais diferentes que se pode imaginar.

E para os habitantes desses edifícios eu nunca deixo de perguntar: como é morar aqui?

Ah moço do Viadutos, você nem imagina o quanto lembrei da sua resposta nesse último ano…

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sobre o autor

Renata Nogueira

Nascida na capital paulista, mudou-se aos 18 anos para o Rio de Janeiro, onde graduou-se em Arquitetura e Urbanismo, e concluiu seu mestrado em Antropologia, estudando os cemitérios como patrimônio ...

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