Perdizes, Segunda Geração

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por Bel Herbetta
Parque da Água Branca

Perdizes se consolidou como um bairro de classe média à partir de 1940. De lá pra cá, 80 anos se passaram, e podemos dizer que já estamos na segunda e até terceira geração de moradores do bairro. E como são estes moradores? O que pensam? Como vivem? (acima foto do Parque da Água Branca)

História

Posso falar de minha própria experiência, e do que observei do alto de meus 36 (quase 37) anos de idade. Meus avós, descendentes de italianos de origem simples (uma costureira e um marceneiro), viviam no bairro do Belém. Quando sua situação financeira melhorou, decidiram mudar para Perdizes, na década de 70. Quando nasci, em 1983, meus pais viviam na Rua Caetés, depois mudaram para a Rua João Ramalho, onde cresci.

Agora trabalhando no bairro como corretora, tenho oportunidade de conhecer muitos outros moradores antigos do bairro, que podemos considerar da Segunda Geração. E comecei a notar que este grupo tem algumas características em comum, que na maioria das vezes, não condiz com a ideia que muitas pessoas ainda guardam do bairro e seus moradores.

Pessoas

O que eu vejo são pessoas que não ligam muito para as aparências ou classe social. Quantas crises e “altos e baixos” a classe média brasileira já enfrentou?

Cresceram com uma boa qualidade de vida, escolheram trabalhar com o que gostam, alguns são designers, arquitetos, músicos, professores, publicitários, advogados, mas todos com um perfil mais hippie e alternativo.

Não fazem questão de morar em bairros mais valorizados ou “da moda”. Afinal eles tem certeza que Perdizes é o melhor lugar pra se viver!

Entre Nós

Ladeiras? Sempre convivemos com elas, aprendemos a enfrentá-las e a amá-las, sabemos que no final das contas não atrapalham tanto assim, e já temos na cabeça qual o melhor caminho “pra escapar daquela enorme”. Podemos até reclamar de vez em quando, como velhos amigos, mas que ninguém de fora ouse falar mal delas!

Temos nossa padaria favorita (no meu caso, Charmosa), nosso chocolate favorito (Di Siena), nosso parque favorito (Água Branca), nosso time favorito (Palmeiras), nosso supermercado de sempre (Pastorinho)… E não importa que ninguém mais frequente ou conheça estes lugares, porque sabemos que são OS MELHORES.

Sabemos que na verdade a Rua Cayowaá se fala “Caióvas”, e a Rua Caraíbas se fala “Caráibas”. Que a Av. Sumaré já foi um rio, que o TUCA já pegou fogo, que no lugar do Shopping Bourbon existia o Shopping Matarazzo do qual só sobrou o McDonald’s.

Novos Tempos

É claro que o bairro não é feito só de pessoas que nasceram por aqui, muitos se foram e outros tantos chegam todos os dias. Mas Perdizes tem essa qualidade de acolher pessoas, de misturar cidade grande com bairro tranquilo, passado com presente, altos e baixos, com boas ladeiras entre eles!

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sobre o autor

Bel HerbettaCorretora Associada

Nascida e criada em Perdizes, foi com o tempo que passou a valorizar e (re)descobrir as qualidades e pontos fortes do bairro. Durante as aulas de Urbanismo, quando cursava Arquitetura no Mackenzie (l...

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