Natal 80’s

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Por Ana Shaida

Tem coisa que “viraliza”. Não, não estou falando de fake news. Mas do espírito natalino.

Pois é! O Rafa começou, a Camila e o Geraldo seguiram contando suas histórias de Natal e eu me inspirei para continuar.

Não foi difícil puxar na memória momentos de Natal que já vivi.

Na verdade, assim como a Camila não curto muito essa loucura de lojas lotadas para as compras natalinas. E percebi que não tenho costume de arrumar minha casa para o natal. Nada de luzes, nada de papai noel ou bolas coloridas. Nada de rituais.

Mas me identifiquei muito com a história do Gê contando das reuniões de família com comida demasiada e sem coerência, rsrs.

Minha memória passeou para a casa da minha avó em Santarém/PA. Um sobrado antigo na Rua 7 de Setembro em um bairro central. Não lembro de muitos detalhes, mas lembro da escada de granilite que me rendeu muitas quedas, do piso vermelhão sempre encerado que transformava nosso pés em uma espécie de carimbo e das cadeiras de balanço de cordas coloridas, típicas de casa de vó.

Lá comemoramos muitos natais. A casa estava sempre lotada, mesmo em outras épocas. Mas no Natal as crianças dividiam as camas de casal e os adultos dormiam em redes atadas uma sobre as outras. Não existia um momento de silêncio, os sons se misturavam. Pessoas conversando e gargalhando, Não se reprima tocando no repeat mode, crianças brincando e gritando e o apito da panela de pressão completava a harmonia. O cheiro de comida impregnava na casa, sempre rolava uma roupa nova e o penteado de sempre (trança raiz bem apertada). O pato no tucupi fazia as vezes de peru e o vatapá substituía o camarão ao molho branco. Tinha também farofa, vinagrete e salada de batatas. E sempre aparecia alguém com um Tupperware cheio de maniçoba. Como na maioria das famílias a troca de presente era o momento mais esperado da noite. O amigo secreto era a solução para ninguém ficar sem presente. Lembro de um kit com talco e sabonete Alma de Flores que ganhei do tio Tote. Coisa vintage hoje, mas na época era o cheiro da minha avó. Não fiquei muito feliz, mas ele esqueceu quem havia tirado e comprou um presente genérico, rsrsrs.

Tempos bons!

Mas de fato o que me marcou no Natal e que acabou se tornando representativo foi uma situação com meu pai. Era um natal desses nos anos 80, lembro que ele saiu antes da meia noite para fazer algo importante. Eu fiquei chateada porque já passávamos tão pouco tempo juntos e eu sabia que essa era uma data significativa. Depois da ceia fomos encontrá-lo na Casa da Cultura (ele gostava desse lugar). Era ali que acontecia toda programação cultural e beneficente da cidade. Ao chegarmos eu vi um papai noel estranho, um pouco magro com barriga falsa, mas bem familiar. Estava rodeado de crianças eufóricas distribuindo sorrisos e presentes. E ele piscou pra mim. Eu o reconheci e compreendi o quão generoso e grandioso é o espírito natalino.

Alerta: Vírus detectado. Não é possível removê-lo. Favor atualize suas definições de Natal.

PS: As fotos são do meu apê atual em vésperas de Natal 2018, clicks generosos do meu amigo fotógrafo Luiz Wanzeler

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sobre o autor

Ana ShaidaSócia-Proprietária

Graduada em Design de Interiores, pós-graduada em Design Industrial, especialista em Design de Serviços, Coach e Yogini em construção, Ana trilhou seu caminho profissional principalmente pela áre...

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