I ♥ ZN

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por Bárbara Tegone

Eu, nascida e criada na Zona Norte de São Paulo, me dei o direito de falar um pouco sobre essa região que é pouco “conhecida” por muitos paulistanos que não fazem ideia do tanto de histórias, importância, reconhecimento nacional, e mundial, que esse pedacinho da cidade possui.

Tecnicamente, a ZN é a área do município de São Paulo situada ao norte do Rio Tietê, dividindo-se em duas outras zonas, a noroeste onde ficam os bairros Freguesia do Ó, Pirituba e Perus por exemplo, e a zona nordeste com Santana, Tucuruvi, Casa Verde, Jaçanã, Tremembé e outros…

Devido a conurbação da região, alguns bairros de Guarulhos também são pertencentes a Zona Norte, como a Vila Galvão, onde eu vivi 90% da minha vida até eu me apaixonar, casar e me mudar para a Bela Vista, no Centro, mas essa é uma outra história.

Historicamente, essa é uma região nova, começou a ser povoada já no século XX e servia como acesso a cidades vizinhas através de seus caminhos, estradas e pela ferrovia, começando a se desenvolver devido a construção do Tramway Cantareira, que ligava o bairro da Luz, no Centro, até Guarulhos, com um desvio para Cumbica, seguindo até a Base Aérea de São Paulo.

E é agora que as coisas começam a ficar interessantes.

Na zona norte existiram as mais conhecidas fontes de água natural da cidade, Fonte São Pedro, Fonte Gioconda, Fonte Fontalis e Fonte Cabuçu, hoje todas fechadas por causa do desmatamento e poluição.

Nesta área também temos o Aeroporto Campo de Marte, o primeiro da cidade; o Complexo do Anhembi, onde acontecem os desfiles do carnaval paulistano, sendo um dos maiores centros de exposições do país; o Terminal Rodoviário Tietê; o Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo, o primeiro da categoria no mundo; o Pico do Jaraguá, ponto mais alto do município, e a Serra da Cantareira, junto ao Parque da Cantareira que é a segunda maior floresta urbana nativa do mundo todo.

A região é muito heterogênea. Na zona nordeste, a área mais desenvolvida e populosa por causa dos estabelecimentos do setor de serviços serem mais ativos e presentes, como em Santana por exemplo, de maior influência comercial e cultural, com maior número de comércios, escolas e melhor infraestrutura, encontramos aqui áreas nobres como: Alto de Santana, Jardim França, Parque Palmas do Tremembé, que não deixam a desejar para outras regiões; e alguns bairros em transição socioeconômica, como Parada Inglesa, Água Fria e Lauzane Paulista, como exemplos…

Já na zona noroeste, vemos uma das áreas mais carentes da cidade, precariedade de serviços públicos, mas onde estão localizadas importantes vias de acesso para o interior da cidade.

Por abrigar o quinto mais movimentado aeroporto do Brasil, a maior rodoviária do país, ser cortada por duas rodovias federais, Via Dutra e Fernão Dias, além da Rodovia Ayrton Senna, a zona norte é considerada umas das principais portas de entradas da cidade de São Paulo.

A zona norte tem aproximadamente 4,67m2 de área verde por habitante, superando todas as outras regiões – como na zona sul, maior e mais populosa.

Com altos índices de poluição e dominada pelo asfalto, a importância de preservar esses parques vai além de um simples lazer, e merece um capítulo à parte, assim como a arquitetura de lá também merece. Já repararam na quantidade de casinhas “fofas” antigas, muitas bem preservadas, muitas nem tanto assim…

Mas voltando ao assunto… Como cenógrafa e filha de músico, não posso deixar de fora as referências artísticas dessa região.

Que São Paulo já emplacou diversas trilhas sonoras, todo mundo sabe, mas aqui na zona norte temos um bairro que foi eternizado pelo grandioso Adoniran Barbosa, com a música Trem das Onze, o Jaçanã! Atualmente passeando pelo bairro, quase nada indica que ali passava uma linha de trem, mas o local ainda é hoje em dia um dos mais tradicionais bairros da região, onde também abrigou a Companhia Cinematográfica Maristela, o primeiro estúdio de cinema da capital, em 1950.

A zona norte também já foi cenário para diversas produções cinematográficas e teledramáticas, como por exemplo das novelas Rainha da Sucata e Passione, da série e filme homônimo Antônia, dos filmes Carandiru e Bicho de Sete Cabeças

Algumas celebridades nasceram e/ou moraram na ZN, Jânio Quadros, Ayrton Senna, Hilda Hilst, entre outros.

A região também abrigou alguns estúdios de emissoras, como as extintas Rede Excelsior e Rede Manchete, SBT, foi sede do jornal O Estado de S. Paulo, além de muitos outros “jornais de bairro”.

 

E antes que caia um cisco no meu olho ou me venha a saudade de “casa”, encerro aqui com um pedacinho da minha admiração por uma região que a Refúgios Urbanos (ainda) não trabalha, mas que guarda histórias muito significativas e importantes dessa cidade que tanto amamos…

Êh, São Paulo!!! TO BE CONTINUED (em breve irei desvendar alguns tesouros da Zona Norte)

 

 

Obs.: A foto de capa é o Parque Lions Club Tucuruvi, um dos meus preferidos da região, fica na Rua Alcindo Bueno De Assis, 500 – Barro Branco

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sobre o autor

Bárbara TegoneComunicação e Cenografia

Estudante das Artes Cênicas desde a infância, viveu muito tempo nos palcos dos teatros e nos shows de rock do seu pai, descobrindo neles sua paixão por cenários e interiores. Decidida a dedicar su...

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