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por Bárbara Tegone

CASARÃO DO ANASTÁCIO – RUÍNAS URBANAS PARTE 3

 

Uma construção em um terreno onde antes havia uma casa de taipa de pilão, em Pirituba na Zona Norte da cidade de São Paulo, com 1.500 metros quadrados, chama a atenção de quem passa pela Rodovia Anhanguera.

É o conhecido Casarão do Anastácio, “inaugurado” em 1920, mas que teve sua história começada bem antes…

Esse imóvel de arquitetura em estilo hispânico ou missões (difundido nos Estados Unidos no início do século 20) é bastante raro nas construções históricas de São Paulo, se tornando de fato um verdadeiro cenário.

Essa tendência arquitetônica era afiliada aos chamados “revivalismos”, que reapropriam e mesclam elementos de arte e da arquitetura tradicional das sociedades latino-americanas e também dos Estados Unidos.

 

Foto: Tuca Vieira/Folha Imagem

 

O primeiro dono do terreno foi o Coronel Anastácio de Freitas Trancoso.

Em 1856, a chácara foi vendida ao Brigadeiro Tobias de Aguiar e sua mulher, a Marquesa de Santos. Com a morte de Tobias, a Marquesa se tornou a única proprietária, mantendo a terra até a sua morte, em 1867.

Após a sua morte, os herdeiros venderam uma parte do terreno para a Companhia Ligth e o resto foi vendido, em 1917, para a Companhia Armour do Brasil.

Foi aí que a antiga casa da fazenda, construída em taipa de pilão, foi demolida. A casa atual que vemos nas fotos foi construída pela a Armour para hospedar os funcionários do seu frigorífico. Um tempo depois, o local foi usado para criação e treinamento de cavalos de saltos e corridas, até que em 1960 a área foi vendida para a Flora S.A. Administração e Comércio (antiga Recordati Indústria e Comercio S.A), proprietária até recentemente.

Em 1992, o antropólogo Edson Domingues pediu a abertura do processo de tombamento para proteger o Casarão do Anastácio.

Mas infelizmente até hoje, o Conpresp não definiu o destino do imóvel que já vem sofrendo os efeitos do tempo, tendo uma grande parte em ruínas e sendo alvo de disputas imobiliárias.

 

Foto: preservasp.org.br (fundos)

 

Sem uso, o casarão está em total processo de deterioração.

Um símbolo histórico do bairro, que desde o seu abandono, se tornou alvo de degradações.

Imponente, com suas paredes sujas, essa construção chama a atenção, quer pela curiosidade de sua história, quer por seu completo abandono, e segundo alguns indícios históricos e relatos de moradores da região, é possível que nessa fazenda tenha funcionado o único quilombo da capital paulistana.

 

Foto: Bernardo Borges/abandonados_sp

 

Mas seu estado de abandono está prestes a chegar ao fim, erguido em um terreno de 181.000 metros quadrados, o casarão foi comprado pela construtora norte-americana Tishman Speyer em 2007, que ali pretende construir algumas torres empresariais, edifícios residenciais, ou talvez, um shopping center.

Não se sabe ainda ao certo, mas a construtora garante que vai restaurar o imóvel original, já tombado, para transformá-lo em um Centro Cultural para a região.

 

Que assim seja!

 

 

Foto destaque: Bernardo Borges/abandonados_sp

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sobre o autor

Bárbara TegoneComunicação e Cenografia

Estudante das Artes Cênicas desde a infância, viveu muito tempo nos palcos dos teatros e nos shows de rock do seu pai, descobrindo neles sua paixão por cenários e interiores. Decidida a dedicar su...

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