Eu tenho paixão por janelas

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por Mari Sergio

Eu tenho paixão por janelas. Sempre gostei de espichar o olho e tentar enxergar o interior das casas e, principalmente, apartamentos.

Não é à toa que me apaixonei pelo projeto Prédios de São Paulo quando conheci. Essa coleção era, justamente, o convite tão desejado para espiar dentro de prédios que eu jamais imaginei ter acesso, e descobrir um pouco da história por trás daquelas fachadas fantásticas.

Pode soar um tanto voyeur, mas desde que me conheço por gente, tenho um olhar curioso que vagueia por aí e uma vontade enorme de me transportar para dentro das janelas.

Gosto de imaginar como é lá dentro, o ambiente, os móveis, a decoração, quem vive lá dentro, como vive… será que é um lugar de gente feliz?

E trabalhar na Refúgios me trouxe, justamente, a oportunidade de ser convidada a descobrir esses tesouros, adentrar o lar das outras pessoas de uma maneira que não é ilegal ou inconveniente. Lucky me!

Não é à toa que, inevitavelmente, sinto vontade de morar em muitos dos imóveis que visito. Além do apelo evidente de alguns lugares, o que mais me cativa é a ideia de viver a experiência do outro, quase como calçar seus sapatos e ver o mundo sob o ponto de vista do outro.

Afinal, já pensou que a vista do seu vizinho, apesar de ser da mesma rua, ainda assim é diferente sua?

Com certeza é diferente. Assim como todos somos diferentes.

E é isso que torna tão rico e interessante esse ato de mergulhar nos universos dos outros, de perceber e se deixar sensibilizar pelos tão diferentes jeitos de viver.

E, ao mesmo tempo, nos deparar com as inúmeras semelhanças, aquelas pequenas coisas que nos unem, independentemente das nossas diferenças, como cantar no chuveiro, suspirar na janela, o cheiro do café recém feito. O que pode ser considerado universalmente humano.

O nosso ofício como corretores, mapeando bairros, visitando imóveis, colecionando histórias, beira uma experiência antropológica e isso me encanta. Quanto mais nos desenvolvemos, mais nos especializamos em justamente entender como as pessoas vivem e, sobretudo, como elas se relacionam.

Tenho claro para mim que cada casa conta uma história.

A minha conta sobre as minhas paixões, sobre as minhas escolhas, sobre a minha estrada, sobre os meus privilégios, sobre as minhas lições, sobre os meus ídolos, sobre os meus valores, sobre o que eu não abro mão, sobre os meus relacionamentos.

Conta isso, através dos meus livros, dos meus quadros, das minhas fotos, dos meus móveis, dos meus bibelôs colecionados ao longo de uma vida inteira.

A gente constrói o nosso lar, mesmo que não seja do zero, tijolo sobre tijolo, como quem escreve uma autobiografia, como quem revê seu percurso até ali. Um livro formado por um teto, paredes, móveis, vãos, janelas, espaços vazios e cantinhos preenchidos.

E você? O que a sua casa conta sobre você?

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sobre o autor

Marianna SergioCorretora associada

Paulistana, passou sua vida inteira no bairro de Moema e arredores, considerando o Parque do Ibirapuera uma extensão da sua casa. Depois de literalmente dar algumas voltas ao redor do globo, voltou a...

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