Como está a nossa Relação com o Verde na Cidade de São Paulo?

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por Luciano Rodrigues
Como está a nossa Relação com o Verde na Cidade de São Paulo?

O verde na cidade cinza de São Paulo aparece em segundo plano no nosso dia-a-dia, mas podemos fazer muito para mudar isso.

A maioria de nós quando pequenos passamos pela experiência de plantar um feijão no algodão. Aquele exercício da escola nos desperta pela primeira vez com o contato com a natureza!

A responsabilidade de regar, a paciência de esperar, a satisfação de ver crescer.

E depois disso, quantas outras experiências nós que moramos em uma metrópole como São Paulo temos durante a vida para nos relacionar com o verde na cidade?

Outro dia gravei um vídeo aqui na Refúgios para a série “Casa de Corretor”, e me perguntaram: qual o seu espaço favorito na casa? Minha resposta de bate pronto foi:

– A minha varanda, lá está o meu Manjericão!

Essa é a busca de muitos moradores da cidade quando querem encontrar um novo Refúgio para morar.

Mas é só a sacada que faz a diferença na nossa qualidade de vida?

Quando ando pela avenida Higienópolis, para mim é muito forte a presença e importância da vegetação para aquele lugar e o desejo de que toda a cidade fosse assim.

Diferente de outras calçadas na cidade, lá ando olhando para cima e não para baixo.

Gosto de ver a Seringueira gigante do Iate Clube de Santos ou o emaranhado de galhos das Tipuanas quase se tocando para formar um arco na avenida.

Sempre observo o número 235, um dos nossos Prédios de São Paulo, o Edifício Prudência. Vejo o paisagismo de Roberto Burle Marx e exuberância das espécies Nativas, criando uma relação entre rua e lote, que me dá vontade de entrar e circular por esse térreo.

Ter perto de casa uma praça, parque ou um pequeno respiro na selva de concreto faz toda a diferença, né?

Não é falsa aquela sensação de frescor, já que as pequenas florestas urbanas podem criar um microclima eficiente para reduz a temperatura, aumentar a umidade e diminuir a velocidade dos ventos; além de serem capazes de filtrar a poluição em suspensão no ar, retendo as partículas em suas folhas e troncos.

Mas como podemos multiplicar o verde na cidade?

Pertinho aqui de casa tem uma praça na Vila Buarque chamada Rotary. Como tenho dois filhos, antes da pandemia, todo fim de semana ela era uma das opções de lazer preferidas da família.

Lá, é um exemplo que se queremos cidades mais verdes, devemos nos organizar e pôr a mão na massa, ou melhor na terra. Com o sonho de revitalizar a praça, moradores da região criaram o Instagram @pracadavilabuarque e organizam boas ações em prol do espaço.

Semana a semana, via a praça ganhando vida na revitalização do seu mobiliário, em atividades de lazer guiadas por educadores e na manutenção da vegetação. Em um domingo qualquer, tive o orgulho de participar de uma ação de revitalização em mutirão e passamos uma tarde fazendo plantio!

Acho importante levar as crianças em ações como essas para que elas aprendam o que são plantas, flores e folhas; que descubram que frutas, verduras ou legumes não vem do supermercado e sim da terra!

Está na minha lista de afazeres pós pandemia, conhecer uma das hortas comunitárias que se espalharam pela cidade.

Horta do Ciclista, do Bê-Ene-Aga, Horta Vegana, da Vila Ângulo, da Vila Pompéia e Horta das Corujas.

 E isso tudo tem relação com compra e venda de imóveis?

Nesses dez anos que trabalho com o Mercado Imobiliário, sempre atuei diretamente ou indiretamente com o paisagismo e vi a relevância que essa disciplina tem no impacto das vendas e na satisfação do cliente final.

Os clientes não enxergam a armadura do concreto, nem mesmo os pilares, vigas e sapatas das edificações; seus olhos estão atentos a estética do empreendimento, entre as quais o paisagismo e a ambientação das áreas livres são fundamentais.

O Paisagismo se torna uma importante ferramenta para se diferenciar do mais do mesmo que o mercado tradicional oferece, tornando-se em alguns casos o principal partido do projeto.

As árvores chegam aos canteiros de obras cada vez maiores e mais imponentes, e as forrações são misturadas em diferentes texturas e cores, mostrando que atualmente é necessário maior investimentos nos jardins.

Olhando para a cidade, na escala do bairro, em São Paulo, temos uma alta demanda de compra de imóveis em bairros onde as calçadas são largas e arborizadas, ou nas proximidades de grandes parques.

Todos desejam morar no entorno próximo do Parque do Ibirapuera, ou em Alto de Pinheiros, onde a média é de 12 árvores a cada 100m de vias, contra 4 a cada 100m no restante da cidade.

Na lei da oferta e da procura, esses bairros ultrapassam facilmente os R$12.000/m², sinal que o verde na cidade não agrega somente beleza e qualidade de vida, mas também valor.

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sobre o autor

Luciano Rodrigues

Urbanista e Paisagista, formado em Arquitetura, viu a possibilidade de mudar sua carreira atuando na Refúgios Urbanos ao lembrar do passatempo de infância com sua mãe visitando stand de vendas e de...

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