A Fonte da Motivação

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por Octavio Pontedura

Um pouco de etimologia. 

A palavra motivação vem do Latim movere (mover). Sendo, de forma bem generalizada, considerada como o impulso que leva à ação e que influencia a direção de um comportamento. 

Ou seja, uma necessidade, anseio ou desejo que determina o que e com qual intensidade e dedicação faremos algo. 

Só um tantinho a mais de fundamentos.

As teorias que estudam a motivação a classificam basicamente em duas categorias: as de impulso e as de atração. 

As de impulso são as de instinto e de punções – necessidades internas que geram tensão e que exigem resolução. O exemplo mais simples deste tipo de motivador é a fome. Se a temos, vamos agir de forma a nos alimentar. 

As de atração estão mais ligadas a estados futuros de realização. Um exemplo seria decidir aprender algo – o objetivo, neste caso o adquirir conhecimento, atrai o indivíduo e o leva a agir de forma dedicada a obtê-lo. 

Aqui, vamos tratar da motivação de atração, que, no universo corporativo, são, por óbvio, as mais estudadas, estimuladas e demandadas.

Um caso bem pessoal.

Há mais ou menos dois anos, decidi voltar ao esporte. 

Trabalhando feito doido, comendo mal e sem me exercitar, com 1.90m de altura, pesava 67kg. 

Não estava de forma alguma um primor de saúde, de energia e de aspecto.

Em um belo momento, concluí que era preciso fazer algo à respeito. Então, procurei uma academia, uma nutricionista e caí na malhação. 

Mas, qual foi o meu gatilho? Pois sempre há um fator básico que desencadeia a ação inicial.

Divido então uma pequena confissão: é vaidade. Pura e simplesmente. Quero me olhar no espelho e gostar do que vejo. 

Com tempo e muita dedicação, sem faltar aos treinos, comendo direito e com qualidade, começaram a aparecer os resultados. 

Atualmente estou com 81kg e praticamente o mesmo percentual de gordura lá do início. Passei de magrelo para magro. 

O que já é uma grande conquista para quem nunca havia pesado mais de 72kg em quase 49 anos de vida. 

E hoje me aconteceu uma coisa que me fez ligar alguns pontos. E o motivo de escrever este texto. 

Iniciei meu dia com visitas às 8:30h da manhã e terminei a primeira parte às 14h. Não havia treinado por dois dias seguidos. 

Cheguei em casa às 15h e tinha só uma hora antes da academia fechar. Não pensei duas vezes, fui para lá, e fiz uma horinha de treino. Sem cansaço, sem preguiça. Com vontade e energia de verdade. 

Em outros tempos, teria chegado, caído na cama e preguiçado no sofá vendo qualquer coisa na TV. 

Qual a diferença? 

O estímulo de me manter assim como estou, de conseguir chegar ainda mais longe é mais forte do que qualquer outra coisa. 

E por que? 

Ele é profundamente pessoal, íntimo, verdadeiro. E por isso é intenso e constante. Uma força, um combustível sem fim que sempre me move e me faz querer mais. 

E, ao menos para mim, aí está a grande fonte desta motivação. Ela é genuína. É minha, me faz sentido, me dá satisfação e por isso me impele, sobre tudo. 

O motivo pode ser fútil, é só mesmo por vaidade, mas a consequência é poderosa e me leva a buscar a superação. 

Um passo a mais.

Meu argumento pode parecer singelo demais, eu sei. 

Porém, me ocorre a partir dele outras conclusões que entendo ir além. 

Explico. 

O estar, e se manter, motivado para atingir qualquer objetivo demanda uma verdade, um desejo, uma vontade, um estímulo que pode ser o mais simples, o mais banal, até o mais egoístico, mas deve ser única e absolutamente seu. Íntimo e profundo. Inquestionável. 

Tendo isso em mãos e o aceitando sem ressalvas ou julgamentos, todas as dificuldades, obstáculos, desafios e toda e qualquer coisa que esteja no caminho de sua meta final se tornam irrelevantes. 

Passam a ser simples circunstâncias. Não há espaço para desculpas, para desânimo, insegurança ou medos paralizantes. Estamos imunes. Temos foco, garra e resiliência sem limites.

Nas empresas, há uma busca constante por motivação. Pois, no caminho dos resultados corporativos estão as pessoas que devem realizá-los. 

E elas precisam querer, de fato, os alcançar. 

Então, criam-se inúmeros métodos, treinamentos, palestras, premiações, bonificações e tantos outros meios para estimular as equipes para atingir as metas desejadas. 

Entretanto, se estes mecanismos não ressoarem com aqueles que são a verdade íntima, e absolutamente individual, de cada colaborador, sinto dizer que todo o esforço e investimento será em vão. 

Pense em si mesmo. Quantas vezes foi instigado a realizar algo, fazer uma tarefa ou entregar um projeto, diante de alguma recompensa, reconhecimento ou remuneração e não moveu uma palha?

Provavelmente, ao menos um caso deve vir à lembrança e, se for realmente à fundo, deve concluir que aquilo não fazia sentido algum para VOCÊ. Era um desejo do outro, do chefe, da empresa e não seu. 

Agora, imagine uma outra situação, onde estava claro um motivador pessoal: aquela promoção em jogo, uma comissão bacana, as férias dos sonhos, o carro novo, a independência financeira de pais ou cônjuges? 

Seja lá o que for, era real, era sua, era verdadeira e fazia sentido para resolver um ímpeto completa e totalmente pessoal. E quanta diferença fez, não?? 

E então? 

Bem, obviamente, nem todas as empresas podem efetivamente tratar as questões motivacionais de seus colaboradores de forma tão individual. Em quadros muito grandes isso se tornaria um processo gigantesco. 

Mas será mesmo impossível? 

Talvez não seja. 

Se ao invés de palestras motivacionais pasteurizadas, se oferecessem treinamentos e ferramentas para que cada um encontre seus próprios gatilhos? 

Criar um processo de mentoria, onde os gestores, profissionais de RH, coaches ou membros mais sêniores oferecessem orientações mais pessoais à pequenos grupos? 

Promover rodas de bate-papo sobre experiências, métodos e ferramentas para atingir os objetivos de equipe, onde haja troca de relatos como cada um se estimula e supera as dificuldades da execução de suas responsabilidades? 

Ao entender que a fonte da verdadeira motivação está em encontrar o estímulo real individualmente, as alternativas e processos para chegar a isso podem ficar mais claras. 

Um exercício pessoal.

Pensando agora em si mesmo, proponho um exercício. 

Em seu trabalho, seu dia-a-dia, o que lhe move a realizar as tarefas? O que lhe dá prazer executar e o que procrastina até o último segundo? 

Analise a primeira situação que lhe ocorrer em cada um dos casos e procure pelas diferenças entre elas. Não em seu princípio, mas na vontade que tenha ou não em arregaçar as mangas e as fazer. 

Qual a diferença entre elas? Por qual razão uma lhe é agradável e suave e a outra não? O que impele à uma e impede a outra? 

Na que faz com satisfação está um de seus gatilhos. Reconheça e o tenha consciente e firme na mente. É a SUA fonte e SUA força. 

Na que procrastina e detesta, procure entender porquê. E não venha com respostas como: é chato, é inútil, não faz sentido. O que precisa descobrir é o que há ali que lhe causa desconforto, desprazer. 

Tendo isso claro e definido, a abrace e aceite. Entenda e fique em paz com o que é um ponto de desencontro entre o que deve e o que gostaria de fazer. 

E então, busque uma alternativa para justificar sua execução sob o ponto de vista do que lhe dá satisfação. Por exemplo: “Preciso passar por esta tarefa enfadonha para então fazer o que me é prazeroso ou para conquistar tal e tal resultado, objetivo, meta.” 

Em nossa rotina, há sempre algo que nos é pesado e indesejado. Não existe caminho que seja somente agradável e sem esforço. 

A questão é subir os morros, arrastar as pedras, sentir os pés doendo, porém com os olhos no fim da trilha e no que desejamos conquistar, e sentir, ao final dela. 

Afinal, tudo se resume a como percebemos as tarefas e as conexões entre elas na matriz que leva ao nosso objetivo. 

É uma questão de ponto de vista, de não olhar algo como desagradável ou difícil isoladamente, mas como só um passo mais duro, que pede esforço, mas que se torna mais leve se o foco estiver no resultado final. 

Voltando à realidade.

Eu sei, eu sei, tudo isso é lindo de dizer e complexo de vivenciar. 

Manter-se motivado é mesmo um exercício diário. Às vezes dá mesmo vontade de largar tudo e ir para casa dormir por 12 horas seguidas. 

Foco e motivação demandam energia, muita energia. 

Porém, ela virá mais fácil e natural se encontrar o que verdadeiramente lhe move. 

Então, termino com mais uma provocação: qual é o SEU motor??

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sobre o autor

Octavio PonteduraSócio-Proprietário

Nascido em Londrina, vive em São Paulo há mais de duas décadas. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), seguiu carreira corporativa por boa parte da vida, trabal...

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