O casal Marina e Carlos nos recebeu em seu apartamento para falar um pouco sobre a história da busca desse imóvel, das decisões que tomaram durante o processo de reforma e como hoje habitam esse espaço pensado com tanto carinho e dedicação.
Karen: Gostaria de começar perguntado a vocês como foi a escolha da região, desse bairro; vocês já moravam por aqui ou vieram para cá agora?
Carlos: A gente já estava morando na região, só que na Avenida Angélica, bem diferente de onde estamos agora. Na época, morávamos em um apartamento alugado, e estávamos convivendo com muito barulho; barulhos da cidade, trânsito e muito barulho de obras. Tinha um prédio ao lado do nosso sendo construído, acompanhamos todo o processo. Então, quando decidimos procurar um apartamento novo para morar, uma das questões era que teria de ser em um local mais tranquilo. Aí viemos parar aqui!
Marina: E essa rua, mesmo sendo na região central, é uma rua pequena, estreita, tranquila… uma rua de pequenos comércios. E ela tem uma característica de ter tido vários cortiços, pensões, então é uma rua, de certa forma, familiar, e isso traz uma paz, mesmo estando do meio de São Paulo.
K: E o prédio é bem interessante, eu fiquei surpresa quando eu entrei no hall… isso também influenciou na escolha de vocês?
M: A gente já tinha uma predileção por prédios antigos; sempre gostamos de observar. Eu fiz a visita sozinha na primeira vez, mas a minha sensação quando eu entrei no hall e bati o olho, foi “é esse!”; pelas características, por esse trabalho supercuidadoso de uma construção da década de 50, então os materiais, a forma de fazer a arquitetura e engenharia… é muito preciosista, muito cuidadosa, tem qualidade. Durar tanto tempo com essas características mantidas e cuidadas… eu acho que nos atrai a ideia de que as coisas não são descartáveis. A escolha de um prédio antigo tem muito a ver com isso.
C: Sim, eu lembro quando a Marina falou “olha, visitei um apartamento, e o hall de entrada, o elevador, é tudo incrível”. Realmente marca, chama a atenção, é um diferencial. Nos prédios de hoje em dia, dificilmente você encontra alguma coisa que seja aconchegante, um local que você vê que tem madeira, pedra, uma combinação de materiais diferentes, que duram… então foi realmente um diferencial.
K: E o que chamou mais a atenção de vocês quando entraram aqui no apartamento?
M: Primeiro a configuração da planta, porque quando a gente abre a porta, tem esse pequeno hall de entrada, que te abraça, recepciona… eu acho isso muito interessante; você entrar e ter esse espaço que quase fala um “oi” pra você. E esses detalhes da construção de um apartamento da década de 50; o piso, esse detalhe do taco, que faz um desenho que te acolhe também, o pé-direito muito alto e a divisão da planta, que também deixa a cozinha e a sala; essa área de receber, separada da área íntima. Eu acho que nesse momento em que tudo é tão integrado, você ter essa separação também fala de qualidade de vida, quando você quer ficar junto, mas também quando quer estar mais recolhido.
K: Até para receber alguém na sua casa, ter o social e o íntimo separados…
M: Exato, exato… também, particularmente, eu acho que tem mais a ver com a nossa natureza, então esse tipo de planta me agrada muito; separação para nossos momentos, nossos ciclos.
K: Marina, você falou um pouco do taco, e eu sei que vocês fizeram uma reforma aqui, né? Me conta um pouco dessa decisão de manter muitas das características originais; porque vocês mantiveram até detalhes, e isso geralmente é uma coisa que a gente não encontra mais. Por que vocês tomaram essa decisão?
M: Eu acho que a gente tem uma maneira de ver a vida de uma forma geral, entendendo que nem tudo é descartável, que as coisas precisam perdurar. Muitas vezes é importante a gente respeitar o tempo das coisas. Quando a gente entrou aqui, o “tempo” estava muito preservado, a madeira da marcenaria do quarto… não tinha lógica abrir mão disso tudo. Tem um pouco dessa beleza; você restaura e ela volta, tendo cuidado de não gerar resíduo desnecessário, e sendo o menos invasivo e agressivo frente a coisas que estão muito bem conservadas, que foram feitas com cuidado e qualidade.
C: É, eu acho que foi justamente isso. A decisão de não abrir uma parede da sala para conectar com o quarto do lado tem a ver com… se a gente fizesse isso, iríamos destruir um armário enorme, com madeira boa. São coisas que não vão ser mais feitas, e poder preservar o máximo do que já tinha no apartamento foi o que a gente quis fazer. A cozinha foi um local que precisava de reforma, e foi interessante porque ela já tinha sido reformada pelo antigo morador, e quando iniciamos a obra, fomos vendo que por trás do azulejo tinha um outro azulejo, que tinha detalhes; e esses detalhes justamente acabamos perdendo… então fomos tentando preservar o máximo possível.
K: E eu vejo que vocês têm muitas peças interessantes de mobília; qual a peça favorita de vocês?
M: Eu acho que essa mesa aqui da sala, porque foi um design nosso! A gente estava num lugar, numa marcenaria no meio do mato e essa tábua é a madeira de uma árvore que caiu num vendaval, e o marceneiro soube tratar ela muito bem. O pé são vigas de construção comuns; ela é super rústica, mas foi um projeto que pensamos juntos.
C: A gente pensou na hora! Era uma tábua de madeira… e a gente falou com o cara: “tem como botar um pé?”. Ele foi entrando na nossa pira, falou “beleza, vou fazer!”. Ficou uma mesa superlegal, que já temos há uns dez anos e adoramos.
M: E num dia que nem tínhamos nos programado para isso; a gente tava indo almoçar, no interior, e acabou acontecendo uma série de coisas, e virou a mesa (risos).
K: E qual é o ambiente favorito de vocês, no apartamento?
C: Onde estamos (risos)! Eu adoro aqui, a sala, porque a gente decorou com quadros, imagens, fotos que a gente gosta… tem os discos; é aonde eu venho para ler, escutar música; é onde eu gosto de descansar e relaxar. Tem as luzes também que gostamos de deixar mais tranquilas, quentes e aconchegantes…
K: Mas eu preciso fazer uma menção honrosa à cozinha de vocês, que é incrível também!
M: Eu fiquei um pouco na dúvida, porque eu adoro a sala, mas a cozinha também é muito gostosa!
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Preservar as características originais desse imóvel foi uma decisão que deixou o apartamento com a cara desse casal! O que você manteria original em uma reforma?
Confira o vídeo da entrevista, com imagens exclusivas, em nosso canal no Youtube!
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