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A distância que aproxima

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por Ana Karina Barbosa

Eu nunca me senti tão próxima das pessoas. Eu sei, vai parecer meio loucura dizer isso no meio da maior pandemia da história, onde a melhor forma de sobrevivência é mantendo um afastamento social. Mas vamos ser sinceros, muitas vezes não nos sentíamos afastados das pessoas, mesmo contra nossa vontade?

Minha frase para a minha família e amigos era sempre a mesma: “desculpa, sabe como é, tô na correria”. A desculpa sempre precedia de algum esquecimento, muito provavelmente de responder uma mensagem de WhatsApp ou uma ligação. Como alguns sabem (se não sabem, vem conhecer um pouco de mim aqui), não sou de São Paulo, então a distância da família era justificada pelos milhares de kms de distância. Mas claro que a correria também ajudava a dar uma empurrada um pouco maior na distância.

Em muitos momentos a consciência pesava, mas sempre vinha seguida de pensamentos auto confortantes. “Tudo bem, eles entendem, afinal vivemos todos na mesma correria.”

Até que a correria (forçadamente) parou. De repente, temos um monte de tempo livre nas mãos. De repente, o celular, as redes sociais, aqueles que em muitos momentos são responsáveis por afastar famílias e amigos, em um passe de mágica se torna instrumento valioso para diminuir um pouco a solidão e o tédio durante esse tempo.

E aí eu volto ao meu ponto. Eu nunca me senti tão próxima das pessoas. De repente eu tenho tempo para um happy hour via FaceTime com as minhas amigas de infância em plena terça-feira.

Ou para atender a ligação do meu pai que só quer matar a saudade no meio da tarde em um dia da semana, sem pressa porque tenho vários clientes em seguida.

Ou até para, finalmente, ter tempo para mandar mensagem para aquele amigo da adolescência, só para dizer o quanto estou feliz em ver o sucesso dele.

Mas será que já não podíamos fazer tudo isso antes? Será que precisamos sempre que algo ruim aconteça para que aprendamos a dar valor as coisas simples? Eu espero que não. De tudo isso, levo uma frase que se tornou quase um mantra diário: may we never take the little things for granted. Cada abraço, cada momento compartilhado, cada presença no dia a dia vai ter todo um significado especial agora.

Que nunca mais esqueçamos o que importa de verdade na vida. As pessoas. E que quando tudo isso acabar, que estejamos todos mais juntos do que nunca.

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sobre o autor

Ana Karina BarbosaCorretora Associada

Paraibana de João Pessoa, sempre foi recheada de sonhos. Devoradora de livros, se imaginou ultrapassando barreiras, vivendo novos mundos e sentindo novos ares. Assim, veio parar em São Paulo, nessa ...

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