REFÚGIOS URBANOS E A TRANSIÇÃO DE CARREIRA QUE NUNCA TIVE

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por Flavio Bassetti
Transição de Carreira

De mansinho, com ideias a conta-gotas, há meses vinha ensaiando a minha estreia aqui no blog SACADAS, no site da Refúgios Urbanos. A gente cai numa mania incondicional de esperar pela hora certa para se abrir ao mundo e esse ideal de bom & perfeito para a escrita nunca se completa. Então, incompleto assim mesmo, pensei em montar um texto contando um pouco sobre a minha transição de carreira para o ramo imobiliário – de curador de teatro para curador de imóveis – que se iniciou em janeiro de 2022.

Começo de ano, sabem como é, né? Votos de renovação. Foco em novas estratégias. Olhar para a vida sob diferentes perspectivas. Quem não pensa assim quando há uma mudança drástica em sua profissão? Pois é! Mas não foi bem desta forma que senti com o passar dos meses desde que entrei na RU.

A ideia de escrever um texto sobre essa mudança começou a perder potência com o tempo e toda vez que me sentava em frente a uma página em branco do Word, o cursor continuava ali piscando sozinho e palavra nenhuma ganhava vida. A sensação era de não pertencimento, de que não havia razão para escrever sobre o tema.

Para não me sentir um completo outsider ou, quem sabe, um desinteressado em nomear a própria transição de carreira, passei a ler textos dos meus amigos corretores como ferramenta de inspiração e, ainda assim, me pegava sem entender o porquê daquela ideia de transição não colar muito comigo. Logo, escrever sobre o devido assunto foi ficando cada vez mais distante da realidade e resolvi mergulhar nas questões práticas do meu novo job ao invés de ficar ruminando sobre um pasto seco e sem sentido.

Existem centenas de processos pela qual um corretor atravessará para construir o seu sonhado castelo: como fazer captação de imóveis, entender sobre nichos e mercado imobiliário, dominar nomenclaturas jurídicas que ainda deixam qualquer ser humano de cabelos em pé… Até aí, nenhuma novidade. Um monte de circunstâncias e características novas para o meu recente emprego, contudo seguia não sentindo a bendita transição de carreira que tantos amigos me falavam. E como a maquinaria da RU era muito complexa para se pegar em um curto espaço de tempo, resolvi mergulhar em seus ajustes e parei de pensar no assunto (ainda que fosse algo familiar à minha cabeça).

Quatro meses se passaram. Estou aqui agora com uma “boa carteira” de imóveis para oferecer aos tímidos clientes que ainda pipocam, um ali outro acolá, pensando por qual razão eu deveria escrever sobre a minha job transition (rs). E a resposta veio nesta última semana chuvosa de maio, quando estava em uma visita à procura de um apartamento para um casal de clientes no Itaim Bibi. Entre um momento de descontração e outro, a proprietária que nos acompanhava acabou me contando que sentia o atendimento da RU diferente e que a equipe de corretores ali presentes era a primeira a falar com ela olhando em seus olhos. Um ato considerado tão banal para muitos, marcou aquele nosso encontro definitivamente.

Bem… Este breve relato pode até se parecer com algum capítulo pastelão de livro de autoajuda, mas me fez pensar no quanto estamos acostumados a não olhar para o que está acontecendo a nossa volta e deixamos passar batido as pequenices extraordinárias do mundo. Afinal de contas, vivemos por aí correndo feito loucos, aflitos demais, muito ocupados para criar qualquer laço de afeto que seja.

Ali naquele milésimo de segundo me dei conta do porquê de não ter sentido a tal “mudança de carreira” justamente por seguir olhando nos olhos das pessoas como fiz em qualquer outro emprego. E o que está em torno disso, para mim, sempre me soou mais como características de funções, nomenclaturas… e terminologias nunca me bastaram. Hoje o mundo pode até nomear a minha profissão como sendo “corretor de imóveis”, mas antes de tudo sempre me considerei um especialista em pessoas. Aquele que olha nos olhos. Conecta histórias. Enxerga para além dos nomes.

E sabe qual é a parte mais sensacional desta história toda? É que não existe ninguém na equipe da Refúgios Urbanos que não cumpra com esta mesma especialidade. Somos corretores de imóveis e amantes da arquitetura com muito orgulho, é verdade, mas as pessoas sempre estarão em primeiro lugar pra gente.

Então, agora eu pergunto a vocês: como é que eu vou escrever um texto falando sobre transição de carreira sendo que nunca passei por uma, meu pai amado… Alguém me diz? ;)

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sobre o autor

Flavio BassettiCorretor Associado

Nascido no interior de São Paulo, se formou em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina – PR e é pós-graduado em Marketing de Serviços pelo SENAC-SP. Mesmo se considerando um nômad...

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