Estamos no bairro Bom Retiro, na casa do Rafa Castro, cantor e compositor, que vai nos mostrar o seu apê incrível!
Rafa: Olá, Ana! O prazer é todo meu, contar um pouquinho da minha história e desse meu refúgio…
Ana: Eu estava super curiosa pra conhecer e entender um pouco de como você chegou aqui!
R: Esse apartamento vem pelo bairro, porque eu sou muito apaixonado pelo Bom Retiro. Tem 11 anos que estou em São Paulo, nove no bairro, e nesse apartamento, quatro. Eu sou mineiro, de São João Nepomuceno, uma cidade bem pequenininha, e eu me identifico muito com esse bairro, pelo senso de comunidade; é um bairro no centro, mas ele tem esse caráter de um cuidado das comunidades que vivem aqui, e me sinto em casa. O bairro me trouxe e me deu esse presente, que é o apartamento.
A: Então você já morava por aqui?
R: Sim, eu já era apaixonado pelo bairro, pelas relações das pessoas que vivem aqui, pela cultura, que é muito viva, pelas inúmeras imigrações e centros culturais e pela área, que é muito rica…
A: Provavelmente você já passava nessa rua, já conhecia ou morava pertinho…
R: Eu morava mais perto do Parque da Luz; a casa anterior era perto de lá. Eu sempre gostei de andar, e aqui é um bairro plano, então é fácil você chegar nos lugares, e eu sempre gostei muito de me “perder” pelos caminhos. Confesso que aqui não era uma área que eu frequentava tanto; eu chegava até o Acrópole, que é bem perto daqui, é um restaurante grego…
A: Que ficou super conhecido!
R: Sim, ele é maravilhoso! Mas é isso, depois que eu fui procurar apartamento, comecei a andar mais pelo bairro, e desbravar, ver as plaquinhas, e aí descobri esse lugar maravilhoso e me encontrei.
A: E você que fez ele do jeito que está? Fez alguma reforma?
R: Não, eu não fiz reforma nenhuma e, inclusive, quando eu estava procurando um apartamento para comprar, eu tinha muita vontade. Olhei vários apartamentos que estavam mais deteriorados para eu fazer uma reforma, colocar minha cara no apartamento, ter uma identidade… mas quando eu entrei aqui, me identifiquei tanto… é meio casa de vó, e me senti muito à vontade de estar aqui!
A: É muito curioso, porque, quando eu entrei e vi o apartamento, imaginei que você tinha feito, principalmente essa estrutura aqui, pensando que você é músico…
R: Pois é, essa estrutura, foi curioso porque, quando eu cheguei aqui, fiquei muito apaixonado pela estética do apartamento, essa colmeia, o painel de madeira… aí foi curioso porque quando fui comprar e preencher a papelada, os antigos donos foram e levaram um álbum de fotos do apartamento, com festas dos anos 70, e foi incrível; eles me contaram toda a história. Era uma família de judeus, super tradicional, que vieram na primeira imigração para o bairro e tal. Aí eles me disseram que o pai da família era um audiófilo, um aficcionado por som, e som de alta qualidade. Tem até duas marcas aqui, que eram onde ficavam as caixas; tinha um equipamento de som muito potente. Aqui ficava uma poltrona e tinha um móvel de vinil, para ele escutar. Então casou perfeitamente! Eu sou cantor, compositor e tenho um home studio; a acústica é maravilhosa, tanto para ouvir quanto para tocar ou gravar. Fui descobrindo vários cantos dessa sala que são muito propícios para potencializar as gravações que eu faço. O meu último disco, gravei todo aqui nesse apartamento.
A: E é um apartamento em que o som deve ficar maravilhoso, mas também visualmente, ele é muito bonito. Você tem um lugar de trabalho e também um local de morar.
R: Esse apartamento tem três quartos, e em um dos quartos, eu queria fazer um estúdio, mas eu falei “impossível que não seja a sala!”. Eu reposicionei, repensei e montei todos os equipamentos aqui, e é isso, funciona como um estúdio muito vivo, as coisas estão muito presentes no meu dia a dia, e isso é muito bom, porque faz parte do meu cotidiano, faz parte de me expressar musicalmente e estar em casa, e isso mudou uma chave maravilhosa para minha carreira.
A: Ter um lugar que a gente chama de refúgio, né, e o que esse lugar representa. Você sendo músico, compositor; imagino que isso deva acontecer muito aqui. Esse cotidiano, essa história que você está construindo, acho que isso deve te inspirar muito, né?
R: Sim, minha casa é o lugar em que eu componho, que eu tenho de inspiração para contar as histórias que eu quero contar e dar esse passo a mais que é registrar. Conseguir gravar essas canções aqui é o fechamento de um ciclo muito lindo. Os estúdios, geralmente, são lugares lindos, mas aqui eu tenho o prazer de estar em casa, um prazer visual de as coisas estarem aqui porque eu acho bonito, acho belo explorar tudo isso no conforto de casa e ter a tranquilidade de conseguir fazer no tempo que eu faço. Normalmente, em um estúdio, tem um tempo de hora pra executar uma coisa, e você ter esse tempo mais “elástico” para fazer com calma, com o coração mais tranquilo, é muito valioso. Tem essa marca de estar gravando as vozes, os pianos… é muito difícil levar esses equipamentos para o estúdio; são equipamentos muito antigos, pesados e frágeis. São dois pianos elétricos dos anos 60, então é muito legal gravar com os meus teclados, no meu lugar, na minha casa.
A: É um grande encontro, esse apartamento com você, né?
R: Pois é! Como eu falei, eu tinha muita vontade de fazer reforma em um apartamento, mas o que eu mexo aqui?! (risos). Eu entrei e me apaixonei pela sala, entrei na cozinha… foi a confirmação. Esse é o meu lugar, é o lugar onde eu quero viver. Sabe quando você se imagina vivendo naquele lugar?
A: Calma, que você está dando spoiler! (risos) Eu vou te perguntar qual o teu lugar preferido e eu imagino que seja a cozinha.
R: O meu lugar preferido é a cozinha. Pra tomar um bom café da manhã, cafés da manhã largos e calmos…
A: Como a vida tem que ser!
R: Como a vida tem que ser. É meu lugar preferido e é o lugar que confirmou a minha vinda para esse apartamento. Eu já tinha me apaixonado pela sala, e quando entrei na cozinha, me vi morando aqui. Eu tenho uma tradição da família; meu avô fazia isso e meu pai também, que é acordar mais cedo, antes de todo mundo, e picar frutas. Quando entrei nessa cozinha, me vi fazendo isso, me vi ocupando esse lugar.
A: É muito cara de casa de família, trazer as pessoas para a cozinha e alguém estar preparando, as pessoas em volta da mesa…
R: Eu tinha muita vontade de abrir a cozinha com a sala, mas é um pecado; não quero tirar nenhum azulejo!
A: Maravilhosos esses azulejos!
R: Tem uma história curiosa; nessa vez que fui assinar a papelada com os antigos proprietários, a mãe da família contou que ela viu, em uma revista da época, a cozinha da Wanderléa, e ela quis ter a cozinha na Wanderléa; eu achei mais fantástico ainda!
A: Os armários são maravilhosos também, de fórmica…
R: Inclusive você está combinando! (risos) Vamos tomar um café? Essa é uma tradição, receber amigos para tomar café, papear…
A: E esse apê é uma surpresa, né? Ali tem aquela porta que se fecha e você não imagina o que tem lá dentro…
R: Ele é. Quando eu visitei pela primeira vez, não notei que tinha aquela porta; fiquei maravilhado com a sala, a cozinha, e fiquei tentando entender onde ficava o quarto. Eu achei que era logo ali, mas se abre um portal! (risos) Um corredor; são três quartos e dois banheiros lindos.
A: Grandes!
R: Não era a minha vontade ter um apê tão grande, mas fiquei muito encantado, e o Bom Retiro agora está em uma alta de desenvolvimento, um novo eixo no centro. Quando eu vim pra cá, no outro apartamento, há nove anos, e nesse apartamento, há quatro anos, os preços eram outros, o custo-benefício era maravilhoso, então eu consegui fazer chegar em um valor dentro do que eu estava imaginando.
A: E espaço nunca é demais, né?
R: É um apê gostoso, espaçoso, e ao mesmo tempo acolhedor e aconchegante. Uma sala que é grande e tem essa coisa dos volumes, diferenças de proporção e a madeira, taco… tem essa coisa de um aconchego de casa de vó, mesmo.
A: Rafa, eu percebi que tem muitas peças aqui, vintage, que parecem garimpadas; tem alguma que te remeta à casa de infância?
R: Tem, estamos sentados sobre ela. (risos). Eu sou um colecionador de histórias, memórias; a casa tem esse lugar. Eu fui construindo aos poucos a parte de viagens, garimpos, encontros com objetos. Esse sofá é um objeto muito especial, um sofá com duas poltronas. Ele era da minha bisavó, que faleceu com 106 anos e era uma mulher muito forte, maravilhosa. Esse sofá ficava na primeira casa dela, em uma roça, uma cidade rural bem pequenininha; minha vó herdou esse sofá e eu pedi pra ficar com ele, porque eu tinha muita vontade de ter ele na minha casa; é a continuação da história da nossa família.
A: Herança e história! E combinou super; muito elegante.
R: É muito lindo, né? Essas madeiras… ele tem uma presença que eu gosto muito. Quando eu cheguei aqui, a primeira coisa que eu visualizei, foi o sofá nesse lugar; é a única coisa que eu sabia que ficaria aqui. Depois o piano… e eu fui montando aos poucos a casa, mas o sofá, eu já sabia que ficaria aqui.
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O Rafa encontrou um refúgio feito “sob medida” para ele, explorando seu bairro do coração!
Confira o vídeo da entrevista, com imagens exclusivas, em nosso canal no YouTube!
https://www.youtube.com/watch?v=q7aC1RIe_Jk
























