Ê Boi! Cultura Popular na Z.O.

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por Maui Zanon

SE TEM UMA COISA QUE ENCANTA MEU CORAÇÃO NESSA VIDA, É A CULTURA POPULAR: OS CANTOS DE TRABALHO, OS FESTEJOS, DANÇAS E MÚSICAS POPULARES QUE CONTAM A HISTÓRIA DO NOSSO POVO.

Quem mora aqui pela Z.O. sabe que a gente encontra um pouquinho da Cultura Popular de vários cantos do Brasil. Artistas de todo canto que se instalam por aqui, trazem consigo um pouquinho da sua terra, perpetuando as festas por todo o ano.

Não se pode também deixar de lembrar da importância que o Instituto Brincante tem na região, onde desde 1992 quando foi criado, atrai os olhares para as manifestações populares, com suas sambadas realizadas normalmente nos últimos domingos do mês, seus espetáculos e cursos de formação na área.

Uma das festas mais emblemáticas dessas bandas é a festa do Bumba Meu Boi, que acontece três vezes por ano, no Morro do Querosene – Butantã.

Organizada pelo Grupo Cupuaçu [Centro de Estudos de Danças Populares Brasileiras] e pelo Mestre Tião Carvalho, do Maranhão. Começou com pequenos desfiles pelo bairro, mas em 1990 ou 1991 passou a ter maiores proporções. Hoje em dia com o seu nascimento [que costuma acontecer na quaresma] , batizado [junho, perto do dia de São João], e morte [em meados de outubro] é uma festa querida por todos aqui, local de encontro com a espiritualidade e com os amigos. Pela popularidade que conquistou e com o advento das redes sociais, rs.. hoje em dia não é mais divulgada publicamente para que não haja superlotação, mas acontece, se aprochegue que a gente te avisa quando. 😉

PARA ENTENDER UM POUQUINHO MAIS 🙂 :

A narrativa e a encenação da brincadeira envolvem personagens de três povos principais que deram origem à miscigenação do Brasil: o africano, o índio e o português;

Existem dois mistérios, duas histórias possíveis por traz da encenação, a lenda de Catirina e Pai Francisco, casal de negros africanos escravizados no Brasil, e a história do boi encantado de São João.

A primeira trata-se do episódio em que Catirina (ou Catarina), grávida, teria sentido um desejo de comer língua de boi. Diante disso, Pai Francisco, seu esposo, rouba um boi de seu patrão, dono da fazenda, e durante a matança
do boi, é descoberto. Pai Francisco, então, é preso e incumbido da missão de “dar um jeito” no boi, sob pena de ser morto ele próprio. Toda a fazenda é mobilizada para salvar o boi:
chamam-se os pajés, que conseguem ressuscitar o boi do fazendeiro. Nessa versão a festa é a comemoração pela recuperação do boi e pela vida de Pai Francisco, bem como uma “represália à tirania e opulência dos então fazendeiros e senhores donos de engenhos da época
colonial”

A segunda é sempre predominante na narrativa de Tião Carvalho sobre a tradição de Bumba-meu-boi.

Tião conta publicamente:
(…) ambos se batizaram: São João batizou Cristo, Cristo batizou João. Mas
só que ele ganhou um boi, pequeno. Só que esse boi, esse boi dança, ele é
diferente dos outros bois, ele dança. E todos os amigos de São João, no dia
23 pra 24, às vésperas do São João, costumavam ir pra casa de São João pra
brincar com esse boi e tocar igual que nós estamos aqui reunido pra cantar
por causa desse boi lindo de São João, que dançava sempre na festa dele e
todos admiravam. (Tião Carvalho, transcrição minha).
Em determinado ano, um dos santos que têm seus dias festivos posteriores ao dia
de São João pede emprestado o boi encantado. São João inicialmente recusa-se, mas acaba
cedendo. O santo leva o boi emprestado e o boi dança lindamente em sua festa. Segue-se uma
série de empréstimos sucessivos do boi de João entre os santos, até que:
(…) uma determinada hora bate uma determinada fome e… e não tem
comida. O que que eles fizeram? Abateram o boi de São João e comeram.
Quando vai dar a notícia pra São João ele ficou muito muito muito
muitíssimo triste (…) Ele é aquela depressão profunda, né. É aquilo que nós
chamamos hoje. E aí ele vem a óbito por causa desse boi.

Nesta narrativa, a festa do boi é feita em agradecimento às graças alcançadas
pelos devotos de São João preparando “um monte de amigos e amigas lindamente (…) pra
fazer festa com um boi muito bonito pra dançar pra São João” (transcrição).

Lindo né?!

Viva o Boi!

Viva São João!!

Viva a Cultura Popular e seus festejos!

Um gostinho da apresentação no IMS:

Referência: Bumba-meu-boi do Maranhão no Morro do Querosene: uma proposta de
estudo do sotaque da Ilha no contrabaixo
Tamiris Duarte Carpin e Leandro Barsalini1
UNICAMP – PPG – Mestrado

Foto de capa: A festa mostra a tradição do Maranhão. / Crédito: Fernando Solidade

 

 

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sobre o autor

Maui ZanonCorretor

Arquiteta e Urbanista de formação, trabalhou na área de aprovações dentro de grandes incorporadoras. Em 2014 decidiu sair do mundo corporativo e seguir num caminho de busca pelo que de fato troux...

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