Meu Refúgio Urbano #11 Um lugar de viver

 

Octavio Pontedura, sócio da Refúgios Urbanos, é natural de Londrina, mas vive em São Paulo há décadas.
Apaixonado por história, arquitetura e design de interiores, ele nos recebeu em seu mais novo refúgio para falar
sobre o charme inigualável dos edifícios icônicos da cidade, da busca e reforma do seu atual apartamento
e dos desafios e surpresas que envolveram todo esse processo!

 

 

RU: Fale um pouco do que te levou a procurar esse apartamento, a escolha da região… 

O: Eu morava no Arouche, em um apartamento com terraço muito bacana, mas eu precisava de um com dois quartos e comecei a procurar. Queria um local maior, que também tivesse área externa; procurei, e rapidamente percebi que, infelizmente, eu teria que investir mais dinheiro do que gostaria para conseguir algo assim… então, comecei a abrir o leque de possibilidades, a pensar com mais calma e esse apartamento surgiu!
Foi uma captação do Felipe, entrou no site e me chamou a atenção. Era um valor bem interessante para o tamanho, ainda que precisasse de reforma. Quando fui visitar, me encantei com as vistas muito raras da cidade; praticamente todas as janelas possuem vista livre, amplas e com muito verde. Dá para ver o céu, o pôr do sol, o que é um privilégio!
A planta do apartamento é muito boa, tem muita flexibilidade; então acabei fechando negócio, mesmo não sendo bem o que eu imaginava; ainda mais nessa localização. Eu jamais imaginei que iria morar na Paulista, “deve ser um caos”, eu pensava!
 

 

RU: O bairro, então, te surpreendeu?! 

O: Sim, a região me surpreendeu de verdade! É muito mais silencioso do que imaginei que seria. Claro que a região não pára; não é um silêncio “mortal”, mas não é algo que incomoda. Ainda não passei por nenhum evento grande na Paulista, então não sei como fica, mais ainda assim, são coisas pontuais; no dia a dia é muito bacana. Tem um cinema do outro lado da rua, os cinemas da Augusta, estação de metrô do lado, a mobilidade é sensacional. E quase todo o mundo associa essa região a escritórios, a comércio, lojas, e não com gente morando.

 

 

RU: E o processo de reforma, o que você quis agregar para deixar o espaço com a sua cara? 

O: Aqui era meio que uma tela em branco. Eu sou o terceiro proprietário desse apartamento…o prédio foi entregue em 1948, algo assim; o proprietário original vendeu essa unidade para um casal, que viveu a vida inteira aqui; criaram filhos e, posteriormente, esses filhos decidiram vender.  

O apartamento estava todo original em termos de layout, muitíssimo bem cuidado.

 

Antes da reforma.

 

Antes da reforma.

 

O meu grande sonho é morar em um loft com absolutamente tudo aberto, tudo uma coisa só; e eu quis trazer um pouco disso, até me deparar com as realidades estruturais (risos)! O prédio tem uma estrutura que não dá pra abrir tudo.
Enfim, corretor tem essa coisa de pensar em revenda; a gente acaba fazendo isso, pensando: “em algum momento vou querer mudar, e como vai ser quando eu decidir revender?”.

No fim, acabou configurando um quarto que é a junção de dois, com a ideia de closet e banheiro integrados, que me dá um pouco dessa sensação do “grande loft”…

 

 

…e a sala totalmente aberta e integrada com cozinha e varanda, com o pé direito de 3.3m que ajuda a dar essa sensação de amplitude. 

 

Depois da reforma.

 

Depois da reforma.

 

RU: E qual é o diferencial de morar em um prédio icônico? Hoje em dia muita gente opta por buscar a modernidade; o que te atrai em morar em um prédio antigo? 

O: Bom, falar de arquitetura com uma pessoa da Refúgios Urbanos é complicado (risos)…a gente sempre vai defender, né?
Arquitetura assinada, em especial essas dos anos 40, 50, são plantas que têm uma longevidade absurda! Se você pega um prédio dos anos 80 e tenta modificar a planta, não tem o que fazer; ela é daquele jeito e é muito mais difícil você transformar esses espaços em espaços contemporâneos. Aqui, estamos falando de um prédio projetado no final dos anos 40, o primeiro edifício residencial da Av. Paulista, e ele está relevante até hoje! Ele tem uma flexibilidade que é eterna.  

 

 

 

O grande ponto, pra mim, da arquitetura assinada, pensada, é a ideia de que dentro de casa, você vai viver muito bem. Oferece conforto, ventilação, iluminação… 

Cada pessoa tem sua particularidade; eu, pessoalmente, não priorizo piscina, academia, etc., com um apartamento que me oferece um quarto em que eu mal consigo colocar uma cama; uma sala enorme e quartos péssimos em termos de tamanho.  Precisa ter equilíbrio, ambientes bem dimensionados em todos os aspectos; bons banheiros, ventilação natural. Eu morava no Ed. Arlinda, no Largo do Arouche, que tinha uma questão maravilhosa de ventilação, as esquadrias do Adolf Franz Hepp são perfeitas! Ele desenhava especificamente para cada um dos projetos; não tem esquadrias padronizadas. E aqui é a mesma coisa, um outro icônico, de outra escola, mas os mesmos princípios: “eu vou fazer um apartamento para a pessoa viver bem, dentro dele.”.

 

 

 

RU: O apartamento não é um lugar de passagem… 

O: É um lugar de viver! De viver, de receber, de experimentar de várias formas. Não troco um prédio “véio” (risos), por absolutamente nada novo! 

 

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