Casa Ranzini

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Descrição

Hoje vamos falar da casa de Filisberto Ranzini, que muitos edificios projetou trabalhando no Escritorio Ramos de Azevedo, e que hoje abriga em uma de suas alas um coworking especialissimo! Leia ate o final para saber e entender mais:

Felisberto Ranzini, pintor, aquarelista e decorador, a cuja gentileza devemos muitas das noticias de que nos valemos no decorrer deste estudo, foi o último a aparecer no estúdio de Ramos de Azevedo e foi também o último a sair do grupo.

Nasceu em San Benedetto Pó em 1881; veio para São Paulo muito jovem e estudou com Domiziano Rossi, a quem substituiu mais tarde como professor de desenho arquitetônico no Liceu de Artes e Ofícios e como professor de composição decorativa e modelagem na Escola Politécnica de São Paulo.

Além de ter desenhado pessoalmente muitos elementos decorativos para as obras de Ramos de Azevedo, Ranzini projetou em estilo florentino ou seguindo a nova corrente “Art Nouveau”: dois palacetes na Avenida Angélica (um na esquina da Avenida Higienópolis e outro na esquina com a Praça Buenos Aires); o “Clube Comercial”; o prédio Condessa Penteado (Rua Boa Vista, 15); as fachadas do Mercado Municipal, cujas plantas foram elaboradas na Alemanha; a casa em que ele morava (Rua Santa Luzia, 31) e ainda algum outro edifício de menor importância. Além disso, tratou da execução do Palácio da Justiça.” (Texto de Afrânio Peixoto, São Paulo, Ind. Graf. Lanzara, 1945)

Sobre a casa da Rua Santa Luzia que vemos nessas fotos:

“Em terreno adquirido por 15:715$000 (quinze contos, setecentos e cinqüenta mil réis) de Elvira Giubergia e outros (havido por inventário do pai, Domingos Giubergia, em 1898) segundo escritura lavrada em 12 de junho de 1922, Felisberto Ranzini ergueu sua residência na então rua Santa Luzia nº 3, concluída em 1924 como se pode observar em seu frontão.

Com dois pavimentos (térreo e 1º andar) e porão habitável, seus cômodos são assim identificados na cópia da planta sem data assinada pelo arquiteto: a entrada coberta leva ao hall que dá acesso à sala de visitas, com vista para a rua, e à sala de jantar; desta última sai o corredor que conduz à copa e à cozinha, passando antes pelo escritório do arquiteto e por um lavabo / WC; na copa, um lanço de escadas interno leva ao porão que reproduz a divisão do pavimento térreo: sob a copa e a cozinha, a dispensa; sob o lavabo / WC, uma “câmara escura”, o laboratório fotográfico do arquiteto; sob o escritório, a adega; sob a sala de jantar, entrada e hall, dois depósitos (com porta independente para a área externa); sob a sala de visitas, um espaço identificado como “malas”. Do hall temos acesso ao primeiro andar por três lanços de escadas; chegamos ao que o arquiteto qualifica de “antecâmara” e que conduz ao terraço coberto sobre a entrada, ao dormitório da frente e ao amplo dormitório de casal; novo corredor alinhado com os de baixo leva ao “quarto”, ao “banho e WC” e a um terraço descoberto que corresponde à laje da copa / cozinha. Erguida posteriormente, a garage nos fundos do lote, segundo cópia da planta registrada na Diretoria de Obras e Viação da Prefeitura Municipal – alvará nº 4911 – em 07.10.1926, vem igualmente assinada por Ranzini, desta vez identificado como “projectista e constructor”.

A casa filia-se ao denominado “estilo florentino” – plasmado no Quatrocento e recolocado em voga na Itália da passagem dos séculos XIX / XX – temperado com as liberdades ecléticas então vigentes e praticado com destaque pelo arquiteto como já assinalaram anteriormente Salmoni & Debenedetti. Era um estilo particularmente apreciado por setores abastados da colônia italiana – saudosos da pátria e sempre dispostos a homenageá-la – de então: na avenida Paulista, “passarela” do ecletismo historicista desses tempos, tínhamos nessa linguagem arquitetônica a bela propriedade de João Batista Scuracchio (1); nas proximidades, à rua Frei Caneca, milagrosamente ainda temos um exemplo digno de nota no bem conservado Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro “Casa di Dante”. Infelizmente a maioria desses exemplares mais significativos desapareceu; ao lado de dois ou três imóveis na rua dos Ingleses e em algumas versões simplificadas – ou com “citações” ou variações do estilo, notadamente, entre outras, através da típica “bifora toscana”, estreitas janelas em duplo arco suportadas por delgadas colunas – espalhadas pela área do centro expandido (e, na maioria dos casos, sem nenhum tipo de proteção legal), não há mais nada de uso residencial representativo dessa corrente estilística. De outros tipologias merecem isolado relevo: a antiga sede do Banco Francês e Italiano de Giulio Micheli à rua 15 de Novembro, inspirado diretamente nos palácios florentinos; o edifício comercial restaurado pela livraria Saraiva à Praça João Mendes; de livre inspiração toscano-florentina temos ainda o Palácio das Indústrias de Domiziano Rossi no Parque D. Pedro II, totalmente restaurado para sediar a Prefeitura no governo Luiza Erundina e que hoje espera por uma nova destinação.

A lateral e os fundos do imóvel não apresentam nenhum traço estilístico que os diferenciem da maioria das casas em tijolo aparente, beiral e janelas com venezianas construídas no pós-guerra; como era comum no período, já a entrada com o terraço superposto conjuntamente com a fachada receberam, apoiados em embasamento de pedra, requintado tratamento estrutural e decorativo. Um detalhe da fachada que chama especial atenção é, por trás da data de conclusão da obra, o fascio romano, resgatado pelo fascismo e que, por sinal, lhe tomou o nome. Na garagem, a nota curiosa fica por conta do parapeito frontal do terraço que esta suporta e que lembra as ameias de um forte.

No interior da casa, dois cômodos merecem distinção: as salas apaineladas de visita e jantar sendo que, no teto desta última, destacam-se delicados afrescos com motivos vegetais; segundo o neto de Felisberto, Renzo Emiliano Ranzini, estes teriam sido pintados por Oscar Pereira da Silva, autoria sujeita a confirmação. Segundo a mesma fonte, o escritório do arquiteto também teria as paredes – hoje totalmente recobertas – decoradas com pinturas, demandando uma prospecção que, por insuficiência de meios e prudência, preferimos não fazer. Nos corredores, hall e antecâmara, corre um friso decorativo de autoria do próprio arquiteto. Dos primeiros tempos da casa permaneceram ainda a coifa da cozinha e o aquecedor a gás “Cosmos” de “Ernesto de Castro & C.” – cunhado de Ramos de Azevedo.

Três gerações da família Ranzini habitaram o imóvel por mais de 80 anos; este foi adquirido pelos atuais proprietários dos netos do arquiteto, Renzo Emiliano Ranzini e Lello Sisto Ranzini em 05 de setembro 2006; Renzo Ranzini, pintor como o avô e nascido na casa em 1930, foi seu morador até 2006. Esse conjunto de peculiaridades talvez explique o nível de conservação do imóvel mantido até o presente. Praticamente tudo é original e o restauro levado a efeito ao longo de 2007 preservou tanto quanto o possível todas as suas características construtivas e decorativas. (Texto: Waldir Salvadore & Percival Tirapeli)

 

Fonte: http://casaranzini.blogspot.com.br/p/a-casa-ranzini.html

Fotos: Carolina Mossin

Como dito no inicio do texto na casa hoje funciona um coworking e nesse momento ha lugares vagos para quem queira ocupar esse lugar inspirador!

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