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Lições a Cavalo : 5 Insights na Natureza

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por Matteo Gavazzi

Semana passada tive a sorte de cavalgar durante 5 dias pelos Canyons do Rio Grande do Sul com o Paulo Hafner.

Difícil descrever esta figura. “Um grandíssimo apaixonado”, seria meu primeiro chute se tivesse que resumir tudo em uma pequena frase.
Verdade seja dita, há 25 anos largou um emprego no mundo da publicidade/marketing para fazer do que amava, o seu trabalho. Aquilo que todos sonham ele pôs no papel e cavalgou a frente.
25 anos depois e alguns milhares de clientes montados em seus cavalos crioulos, da para afirmar que a coisa deu certo.

Nos dias que passei com ele, em uma das poucas viagens que consigo me conceder ao longo do ano, consegui desligar a cabeça, mas também tive insights poderosos.

No primeiro dia andamos 4/5 horas adentro de algumas fazendas para chegar na borda de um canyon.
Ao longo do caminho, vimos algumas torres metálicas que o Paulo indicaria depois como medidores de vento.
Acontece que a energia eólica está na moda no RS, e muitos fazendeiros estão estudando sua implantação.
Aqueles que foram campos nativos sem nenhuma “intromissão” da modernidade, agora estão virando campos de lavoura de batata e centrais de energia eólica.
Nesse momento o nosso anfitrião disse uma frase que por mais óbvia que seja, é muito potente:

“Nem tudo precisa virar grana”

Dedicamos boa parte do nosso tempo em converter horas trabalhadas em dinheiro. Ele é essencial, todos concordamos, mas “Nem tudo precisa virar grana”.

Qual é o preço do tempo? Não tem. Ele não tem valor pois não pode ser comprado de volta.

Qual é o valor do tempo? Inestimável.

E como diz o Paulo : “Como nao sabemos quanto a vida vai ser longa, ela precisa ser larga. Quanto mais larga, melhor” Nao encontro nenhuma frase melhor sobre valorizar nosso tempo e experiências nessa vida.

Qual é o preço de uma paisagem? Incalculável.

Qual é o valor de uma amizade? Imenso.

Hoje sabemos o preço de tudo, mas esquecemos qual é o valor das coisas que estão a nossa volta no dia a dia.

E creio que foi com esse espírito que criamos a Refúgios Urbanos e todos seus projetos. Dando muito valor ao tempo de cada associado, mas sem contar as horas que dedicamos aos projetos que nos apaixonassem e nos movessem para além do ganho monetário que teríamos.

O Segundo insight, que por acaso aconteceu no segundo dia, foi “o silêncio é importante”.

Sim, a gente tá sempre aí preenchendo tudo com palavras. E o silêncio?
Ele também fala com a gente sabiam?

Nesta segunda cavalgada, notei que durante longos períodos, os quatro cavaleiros não conversaram. Entre eles. Pois bem cada um estava conectado com o próprio cavalo e natureza. Em silêncio.
Foram papos longuíssimos sem palavras, onde lembrei da importância de me escutar. Por dentro. Ter sempre alguma coisa pra dizer ou alguma operação pra fazer, é se esquecer da “Big Picture”.
Precisamos as vezes nos silenciar, dar um passo pra trás e olhar a coisa como um todo.

E assim seguiram nossos dias em sela a magníficos cavalos crioulos.

Foram eles que me deram o terceiro insight.

“Nada vence o trabalho em equipe”

Imagina uma tropa de cavalos onde todos andam juntos independentemente da vontade do cavaleiro.
Sério, você poderia desmaiar em cima do cavalo e ele seguiria com seus “colegas” até o destino final. Nunca vi nada similar. E olha que já montei em muitos cavalos.
Um verdadeiro trabalho em equipe onde todos colaboravam. Um parava porque estava cansado ou com batimento rápido. Os outros paravam também. Um comia, os outros idem. Um não cruzava certo riacho, os outros também não se atreviam. Fato é que, em 5 dias e com alguns milhares de kms percorridos, não tivemos nenhum imprevisto. Somente alegrias. “Nada vence o trabalho em equipe”!

No quarto dia já éramos amigos de longa data do Paulo. Já tínhamos conversado de bobagens, já tínhamos nos aprofundado em papos mais sérios, ficado em silêncio, degustado vinhos juntos e etc etc. Foi nesse momento que nos convidou para passar o último dia em sua casa.

Uma casa construída há mais de 80 anos por seu avô. Vendida após o desmembramento da fazenda e recomprada por ele nesses últimos anos.

E aqui veio o quarto insight : “A importância do lar, um lugar físico, mas também da alma e do coração”.

Ele não comprou aquela casa simplesmente porque atendia suas necessidades de quartos, localização, vagas, jardim e m2.
Aquilo era um pedaço da sua infância. Um pedaço da sua vida. Da sua família.
E após a entrada com a esposa Angela e o restauro da propriedade, aquela casa virou um lar. De verdade.

A sensação de aconchego ao entrar? Inestimável.

Móveis antigos e pequenos objetos de família espalhados por toda a sala, finamente mobiliada.
Aquele clássico conjunto de peças que foram acumuladas ao longo de uma vida toda. Ganhadas, herdadas ou compradas em cada nova fase.
Uma Casa com C maiúsculo. Um lar. Para repousar nossos corpos, aquecer nosso coração e evoluir nossas almas.

Claro que essa energia era o conjunto do Paulo, da Angela e do avô que ali tinha construído sua casa de madeira há quase um século.

O último insight, no último dia, teve a ver com os negócios.
Quem sabe porque já estávamos com a cabeça projetada para o retorno a São Paulo, mas prestei muita atenção numa frase que a Angela disse num belíssimo almoço que nos preparou:

“Tudo da trabalho, mas e o prazer?”

Ela tava falando do trabalho que da pra ela encerar as tábuas de madeira antiga daquela casa. Uma madeira já enrugada, já desgastada, com todos os riscos e passos de uma longa vida mas que tinha em sua beleza exatamente esse desgaste. Claro que um piso novo ficaria mais “perfeito” e daria menos trabalho, mas e o prazer? Assim dizia a Angela!
E o prazer de ter algo abaixo dos meus pés que eu goste e ache bonito? Pois o piso novo também irá dar trabalho, quem sabe um pouco menos, mas e o prazer?
Esquecemos muitas vezes do prazer e da beleza para darmos valor somente a praticidade. Esquecendo porém, que até a praticidade da trabalho…. porém, sem nos colocar aquele sorriso bobo na cara.

Penso sempre nisso quando oriento os corretores associados.
Nenhuma comissão poder “pagar” o prazer de ser o melhor profissional possível. É aquele prazer de estar ajudando alguém em uma das etapas mais importantes de sua vida.
Pensamos que existe a escolha do trabalho menos fadigoso mas esta é uma ilusão, pois, tudo que vale a pena na vida da trabalho, mas nunca devemos nos esquecer dos prazeres que devemos nos proporcionar para que os esforços valham a pena.

Obrigado Angela e Paulo. Voltaremos a cavalgar logo!

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sobre o autor

Matteo GavazziSócio-Fundador

Nascido em Roma, Itália, onde viveu até seus 20 anos, mudou-se para São Paulo em 2010, fazendo o mesmo caminho e trazendo os mesmos sonhos de Giuseppe Martinelli, um de seus maiores inspiradores. ...

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